O desafio de crescer em meio à crise internacional

Bastidores: Beatriz Abreu

O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2012 | 03h08

O ambiente de incertezas que contagia os países emergentes e desenvolvidos lança um desafio ainda maior ao governo na recuperação da economia doméstica. O cenário básico, e que deve ser retratado no Relatório de Inflação que o Banco Central divulga esta semana, estampa a aposta de que os europeus conseguirão evitar uma crise bancária. Caso contrário, o efeito será devastador para a economia mundial.

Esse cenário considera que a crise financeira praticamente interditou a zona do euro e deixou a economia mundial sem perspectiva de curto prazo, além das dúvidas quanto à recuperação dos Estados Unidos, envolto na disputa eleitoral deste ano, na qual Barack Obama tenta a reeleição.

O quadro de indefinições é desnorteante porque não se sabe se Barack Obama será reeleito. Se for, muda a política econômica? Se ganhar, terá a maioria no Congresso para governar? Esse adendo à volatilidade dos mercados e ao estado de inanição da economia mundial contamina o Brasil, apesar das melhores condições do País para enfrentar um mundo em crise e em recessão.

O fato é que a presidente Dilma enfrenta circunstâncias mais difíceis e complexas, se comparadas às de seu antecessor. O ex-presidente Lula enfrentou a fase aguda da crise financeira, entre 2008 e 2009, com uma resposta rápida: jorrou crédito no mercado e medidas de estímulo ao consumo, que foram acatadas com avidez por mais de 30 milhões de brasileiros que ascenderam à classe média.

O momento é diferente e a saída, desta vez, não é pelo consumo. Apesar do discurso para que a população continue consumindo, o efeito dessa ação é limitado. E o governo sabe disso. Diante dessas incertezas, a alternativa foi alterar a estratégia. A palavra da vez é investimento. Só com mais investimentos o País será capaz de criar as condições para gerar um círculo virtuoso que dê sustentação ao crescimento da economia.

Essa saída, porém, é também de risco: se o governo não convencer os empresários da necessidade de manter os investimentos, a economia vai patinar na estagnação. A avaliação das várias esferas do governo não é otimista, e ganha força a previsão de que, na melhor das hipóteses, o crescimento este ano será igual ao de 2,7% de 2011. Pode até ser menor. A blindagem é significativa, mas o Brasil não é uma ilha isolada.

Na sexta-feira, o Banco Central reviu as projeções da balança comercial e confirmou as expectativas de restrições no comércio exterior. O quadro internacional está muito mais complexo e contornar os impactos dessa nova fase da crise internacional exige sangue frio.

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