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O desempenho imprevisto do comércio em julho

Diante da apreensão revelada por empresários e consumidores em pesquisas recentes, surpreendeu o desempenho do comércio varejista em julho: crescimento de 1,9%, em relação a junho, e de 6%, em relação a julho do ano passado, excluídos veículos e material de construção, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE. Nem as consultorias econômicas mais condescendentes com a política oficial previam resultados favoráveis dessa magnitude. Mas há motivos para acreditar que o comportamento de julho não é sustentável.

O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2013 | 02h10

O economista Altamiro Carvalho, da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, deu ênfase às promoções de venda para reduzir os estoques de lojas (e indústrias). Pela pesquisa do IBGE, as vendas de eletrodomésticos revelaram crescimento de 14,9%, na comparação entre julho de 2012 e julho de 2013, ante 8,9% entre os meses de junho de 2012 e de 2013. Além do incentivo aos adquirentes do programa Minha Casa Melhor, a alta do dólar teria motivado alguma antecipação de compras.

Para Marcel Solimeo, diretor da Associação Comercial de São Paulo, a comparação entre junho e julho pode estar distorcida, pois em junho se concentraram as manifestações populares, que afastaram consumidores das lojas. Nos grandes centros, muitos estabelecimentos fecharam as portas em pleno horário comercial, enquanto os consumidores voltavam mais cedo para casa.

Outro fator relevante foi a interrupção das altas, ou até a queda, dos preços dos alimentos, o que estimulou o consumo. Depois de um mês de recuo das vendas, o item hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registrou alta de 1,8%, em relação a junho, e de 2,6%, em relação a julho de 2012.

A intensidade da recuperação do comércio vem acompanhada de reestimativas de crescimento, para maior, tanto das vendas do varejo quanto do Produto Interno Bruto (PIB). A Confederação Nacional do Comércio elevou a projeção de vendas de 4,6% para 5,4% neste ano. A Febraban reviu de 2,2% para 2,4% a projeção de avanço do PIB em 2013.

Há um conjunto de fatores econômicos - menor crescimento da renda disponível, juros em alta, avanço lento do emprego, desvalorização do real - que dificultam as perspectivas do varejo neste final de ano. Se os fatores negativos prevalecerem, o comércio poderá se sujeitar às oscilações bruscas de atividade já observadas na indústria.

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