'O dinossauro se moveu', diz Mantega sobre FMI

Ministro ironiza concessões feitas por fundo em relação a cotas de emergentes

Bruno Garcez, BBC

22 de outubro de 2007 | 07h45

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ironizou as concessões feitas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em relação ao aumento da representatividade dos países emergentes no órgão, afirmando que "o dinossauro se moveu". O Comitê Financeiro do FMI aceitou aumentar em 10% o número de cotas distribuídas aos 185 países de acordo com a contribuição de cada um ao fundo. Com base nestas cotas, define-se o quanto cada país pode tomar emprestado do Fundo, e o poder de voto de cada nação nas decisões do FMI. A expectativa é que as novas cotas sejam divididas entre os países emergentes, mas ainda não foram definidos os critérios que organizariam esta distribuição. Guido Mantega destacou que um caminho será elevar o peso do Produto Interno Bruto (PIB) na fórmula que define os votos que cabem a cada país. "A fórmula ainda não foi totalmente definida, mas o primeiro elemento passa a ser o PIB, que antes tinha apenas 25%, um peso menor. Agora, passa a ter 50%", disse Guido Mantega. Com isso, serão beneficiados países que têm experimentado crescimento econômico, como Brasil, China e Índia. Além disso, o fundo divulgou que deve pelo menos dobrar o número de votos básicos atribuídos a cada país independentemente dos votos definidos pela cotas. Isto deve beneficiar economias menores, que aportam menos recursos ao fundo e portanto têm direito a menos votos. "É claro que ainda é insuficiente para haver um novo equilíbrio de forças dentro do Fundo Monetário. Porém, é um passo importante", afirmou Mantega. O Brasil conta com 1,42% de votos no FMI. Os países que contam com maior número de votos dentro do fundo são os Estados Unidos (17,08%), Japão (6,13%), Alemanha (5,99%), França (4,95%), e Grã-Bretanha (4,95%). Segundo Mantega, a postura de liderança brasileira frente a outras nações emergentes poderá contribuir para que o FMI acelere as reformas. "Nós vamos ter um papel importante, porque o Brasil assume, agora em novembro, a presidência do G20, na África do Sul. E o G20 tem um papel fundamental para dar seqüência ao que poderá desembocar numa fórmula completa, que será definida até a reunião de abril (do FMI e do Banco Mundial)". Mantega também saudou o compromisso do fundo de criar uma linha de crédito com a finalidade de prevenir crises nos países emergentes. O ministro disse que também quer ver a incorporação dos principais países emergentes ao G7, o que, segundo ele, faria com o que o grupo se transformasse em G12 ou G13. O G7 é formado pelos sete países mais industrializados do mundo: Alemanha, Estados Unidos, Japão, Reino Unido, França, Itália e Canadá. Recentemente, o ministro das Finanças alemão, Peer Steinbrueck defendeu a inclusão de países de economias emergentes ao grupo. A ampliação do G7 é um dos temas do encontro que Mantega terá nesta segunda-feira com o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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