Fernando Scheller/ Estadão
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O discreto charme do bairro de Carlos Ghosn em Beirute

Ashrafieh concentra lojas de design, salões de cabeleireiro e restaurantes da moda; no passado, foi uma 'zona verde' da guerra civil, por ficar bem no meio dos dois lados do conflito

Fernando Scheller, enviado especial, O Estado de S.Paulo

07 de janeiro de 2020 | 17h01

BEIRUTE - Uma cidade de cerca de 2 milhões de habitantes sem transporte público, com trânsito caótico e com marcas de desigualdade comuns a metrópoles de países em desenvolvimento deverá ser, pelo menos por algum tempo, o novo lar de Carlos Ghosn. O bairro onde fica a residência do executivo – que pertence à Nissan, mas que ele poderá continuar por causa de um acordo feito com a montadora – fica no bairro Ashrafieh.

Trata-se de um reduto de alta renda localizado na parte Leste de Beirute – a cidade é dividida entre Leste e Oeste, linha que também separa as metades católica e muçulmana da capital. Na verdade, Ashrafieh é uma espécie de meio de campo. Durante a guerra civil libanesa, que se estendeu entre 1975 e 1990, o bairro era a chamada "zona verde", único local que ficou livre dos bombardeios por um período mais longo. Por isso mesmo, foi a área onde a vegetação começou a renascer, justificando a denominação.

Mesmo depois de tantos conflitos, Ashrafieh ainda tem alguns casarões antigos para exibir. Hoje, alguns deles foram transformados em restaurantes – na área, é possível encontrar culinárias francesa, italiana e local de alto padrão. Também há presença de lojas europeias de design para a casa (como a Zwilling), uma rede francesa de vinhos e bebidas (Nicolas), shopping centers e – algo cada vez mais raro em qualquer lugar – locadoras de DVD.

Com a liberação dos arranha-céus no bairro, Ashrafieh também passou a abrigar vários edifícios de alto padrão, do tipo "condomínio fechado", semelhantes aos da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. É uma tendência que não deve ser interrompida, já que há alguns empreendimentos em andamento no bairro, apesar da desaceleração da economia do país. Os números de 2019 ainda não estão fechados, mas a expansão do PIB deverá ser de cerca de 1%.

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