O duelo entre emergentes e desenvolvidos

Desde que o governo americano começou a reduzir gradualmente os estímulos monetários, ou seja, parou de imprimir dólar deixando a moeda mais forte, os países emergentes sofreram com a saída em massa de investidores internacionais de seus mercados. O índice MSCI para emergentes, que reúne ações de diferentes países, caiu 5% neste ano. O MSCI dos desenvolvidos, pelo menos neste início de ano, tampouco ganhou e cai 1% no ano.

O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2014 | 02h09

A análise de longo prazo desses índices acionários dá uma mostra do que aconteceu na economia mundial dos últimos anos. Entre maio de 2007 e outubro de 2010, os emergentes se valorizaram 11%, mesmo em meio de toda aquela crise de 2008, enquanto os desenvolvidos caíram 25%. "Os emergentes estavam melhores antes da crise e continuaram logo depois dela", diz Fernando Siqueira, do Citibank. "Mas isso mudou agora."

Desde outubro de 2010, quando houve uma inversão da curva, os emergentes perderam 14% e as ações dos países desenvolvidos subiram 35%. Carlos Eduardo Rocha, da Brasil Plural, lembra que a crise de 2008 mostrou uma fragilidade dos países desenvolvidos em que os governos tiveram de atuar para salvar entes privados. Agora, os emergentes estão em uma situação inversa, com os governos apresentando problemas fiscais.

Na média, em dólares, o Brasil tem caído mais que seus pares neste ano e a bolsa brasileira perde 10%. Isso ocorre porque há muitas incertezas com a economia, reforçada por uma questão fiscal que foi exposta no fim do ano passado e ainda afeta preços. Rocha lembra que em ano de eleições, historicamente, os governos não fazem ajustes fiscais necessários, o que pode afetar ainda mais a bolsa.

Neste vaivém do duelo entre emergentes e desenvolvidos, o Brasil é um bom exemplo do comportamento dos índices acionários. A economia do País se destacou logo após a crise de 2008 com o consumo puxando forte crescimento do PIB. Foi com uma bolsa pujante em 2009 e 2010 (basta olhar a linha ascendente do gráfico ao lado no período) que o Brasil gabava-se mundo afora de ter saído incólume da crise. É com uma bolsa fraquejando desde então que tenta se desvencilhar da pecha de um dos "cinco frágeis". / J.G.

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