Lucas Medeiros
Lucas Medeiros

‘O ecossistema de Florianópolis é muito forte'

Marcela Graziano criou a Smarket em 2013, aplicativo que potencializa promoções de supermercados e agiliza divulgação

Anna Carolina Papp, enviada especial, O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2017 | 05h00

Logo após se formar, a administradora Marcela Graziano criou o próprio negócio – uma prestadora de serviços de marketing para empresas, entre elas uma rede de supermercado de Florianópolis. Ao ter contato com o processo de criação de promoções, porém, ela observou como essas decisões eram tomadas sem nenhuma estratégia – o que muitas vezes causava grandes prejuízos para os supermercados “Vi que ainda era uma decisão muito empírica e totalmente manual. Não se sabia quais produtos colocar em oferta e qual o melhor preço.”

Foi então que ela criou, em 2013, a Smarket, startup que se propõe a potencializar as promoções e a agilizar a produção de material de divulgação. “O nosso software, pioneiro no País, conecta dados de estoque, validade, preços do concorrente e estatísticas de venda, apontando quais os produtos mais estratégicos para entrar em promoção, em qual momento e por qual preço”, explica. “A pessoa pode escolher uma estratégia: se quer ganhar na margem ou desovar um produto em estoque. Seja qual for a necessidade, apontamos o melhor caminho e automatizamos a produção do material de divulgação.”

O software custa a partir de R$ 5 mil por mês. A empresa atende hoje a 14 redes de supermercado e drogarias espalhadas pelo País, que juntos faturam R$ 12 bilhões por ano. Segundo estudo da Kantar Wordpanel, o Brasil está entre os países que mais geraram valor em ofertas especiais (40,1%) no primeiro trimestre deste ano, superando Inglaterra (38%), Itália (34,5%) e Alemanha (17,4%).

No processo de aperfeiçoamento da solução, a Smarket contou com o apoio do programa de capacitação Startup SC. Hoje, Marcela participa das ações do programa incentivando e ajudando novos empreendedores catarinenses.

Neste mês, a startup recebeu seu primeiro aporte, de três investidores-anjo. Em fevereiro, Marcela vai participar da quinta missão do Startup SC ao Vale do Silício, nos EUA.

“O ecossistema de Florianópolis é muito fértil. Temos apoio da universidade e uma presença forte do Sebrae, que é muito atuante na questão de tecnologia”, diz. “Além disso, há um espírito de comunidade e muita troca entre as startups: quase todo dia tem algum evento de empreendedorismo.”

Outro nicho que tem se fortalecido é o de fintechs, empresas de tecnologia que prestam serviços financeiros. Baseada em Joinville, a Asaas ajuda autônomos, MEIs e micro e pequenas empresas a receber de seus devedores, por meio de um sistema de pagamento e cobrança via cartão de crédito e boletos. A empresa foi fundada pelos irmãos Diego e Piero Contezini – este, também mentor do programa Startup SC, do Sebrae.

“Quando o pequeno empresário tem mais de 20 contas a receber por mês, ele passa a gastar uma hora por dia apenas para lembrar seus clientes do pagamento”, explica Contezini, “Com a nossa plataforma, ele não gasta mais de cinco minutos, pois agenda a data de recebimento e envia, automaticamente ao cliente e-mail, SMS, carta impressa ou até notificação no celular, o que preferir.”

Em 2016, a startup aumentou o faturamento em 320%, e mais de R$ 103 milhões foram transacionados pela plataforma. A empresa já recebeu quatro rodadas de investimento, tendo captado pouco mais de R$ 7 milhões. 

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