O encolhimento da produção de veículos

Com a queda continuada das vendas, tornou-se inevitável uma adaptação da indústria automobilística às novas condições de mercado. Segundo a associação das montadoras (Anfavea), em abril a produção caiu 21,7%, em relação a abril de 2014, e 14,5%, em relação a março. De janeiro a abril foram produzidas 882 mil unidades, 17,5% menos que em 2014.

O Estado de S. Paulo

15 Maio 2015 | 03h00

A entidade não prevê melhora até junho, mas espera uma retomada no segundo semestre, com a aprovação do ajuste fiscal, o que deverá aliviar o ambiente de negócios. Mas será difícil de voltar ao nível de produção de 2014 (3,15 milhões de unidades) por causa da queda de renda do consumidor, da inflação, das restrições de crédito e da redução das exportações.

Mercado potencial existe, acredita o presidente da Anfavea, Luiz Moan. O consumidor adquire o veículo porque precisa e deseja. “Mas, por uma contingência da economia, compra mais seminovos do que novos.” A Anfavea nota a alta de 2,2% na venda de usados no período janeiro-abril. Explica-se: após um ano de uso, os seminovos depreciam entre 20% e 25%, dependendo do modelo.

Para alguns analistas, vários modelos fabricados no País sofrem severa carga tributária e são caros para o consumidor. É preciso aperfeiçoar os processos industriais para cortar custos de produção – o que exige investimento, mais difícil quando o mercado encolhe.

Mesmo que o consumidor passe pela triagem do banco, o crédito caro inibe as vendas. Para atenuar suas dificuldades, a indústria vem apoiando os “feirões de consórcios”. Reativa, assim, iniciativas que pareciam destinadas a desaparecer quando o crédito era abundante. Os feirões facilitam o uso de cartas de crédito e dão algum alento ao setor.

Os problemas seriam menores se as exportações crescessem com a alta do dólar. Mas o principal mercado, o argentino, também encolheu. Considerando automóveis, caminhões e ônibus, as exportações caíram 1,2% em unidades e 18,9% em valor. Isso se deveu às máquinas agrícolas e rodoviárias, cuja produção recuou 4,2% no mês e 19,8% no quadrimestre.

Fornecedores também sofrem. O setor de autopeças reduziu em 14% as entregas à indústria no primeiro bimestre, segundo o Sindipeças. Igualmente foram afetadas as indústrias de borracha e de plásticos.

O emprego padeceu com o corte de 14,6 mil vagas entre janeiro e abril. E centenas estão em férias coletivas ou lay-off.

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