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'O Estado tem de facilitar o ambiente de negócios'

Sem apoio o setor não vai conseguir manter o papel de grande protagonista da economia brasileira

Gustavo Diniz Junqueira*, O Estado de S. Paulo

20 de setembro de 2014 | 13h38

 É fato que o agronegócio vem sendo o protagonista da economia. Mais do que garantir o abastecimento interno e assegurar excedentes exportáveis, o setor vem gerando riqueza, emprego e renda. Ao abrigar dezenas de milhões de produtores em cadeias produtivas altamente tecnológicas, que integram uma multidão de agentes da indústria, comércio e serviços, o agro virou um dos principais vetores de transformação socioeconômica do País.

Ancorado em ganhos contínuos de eficiência (fazendo mais com menos recursos naturais), o setor mostrou que é viável produzir e proteger ativos ambientais. Viabilizamos a produção em larga escala tecnificada e atividades especializadas em nichos de mercado de elevado valor agregado.

Contudo, até hoje, ainda compramos muito, e pouco vendemos. Para inverter isso, temos que construir visão e ação coletiva de longo prazo para o Brasil – pensando em 2030, 2050, 2100. O padrão alimentar global está mudando, onde qualidade ganha terreno como fator-chave. Claro que a quantidade exportada será importante, mas produtos mais bem acabados (que custam mais para serem produzidos, mas também valem mais) serão cada vez mais demandados. Este novo cenário, obviamente, traz riscos e oportunidades, e exigirá quebra de modelos.

Para se inserir de maneira competitiva nas cadeias globais de valor – agregando a sua já forte cesta exportadora de commodities, o embarque cada vez maior de produtos agroindustrializados – , o Brasil terá que implantar mudanças significativas no modo como produz e vende, de olho nas tendências de consumo.

Escala e verticalização, e diferenciação e marketing são objetivos a serem perseguidos. Haverá uma seleção natural, onde somente os melhores produtores, que conseguirem investir cada vez mais em tecnologia, governança e gestão, permanecerão na atividade. Com um setor rural planejado, forte e estruturado, o Brasil poderá ser o “Guardião da Segurança Alimentar do Mundo”, trunfo geopolítico que não deve ser desperdiçado.

Sozinho, o agro não será capaz de promover o desenvolvimento necessário para atender aos anseios da sociedade brasileira. Porém, o setor é o que tem as melhores credenciais para dar o novo arranque que o País precisa. O agro tem que estar no centro nervoso do planejamento estratégico e do processo decisório do Brasil, constando como item de segurança da agenda nacional, independentemente de quem seja o próximo presidente.

A obrigação do Estado é facilitar o ambiente de negócios, oferecendo segurança jurídica e previsibilidade. Sem isso, o risco é alto, e o retorno para os cidadãos e o País é medíocre. O governo precisa ter uma visão pró-negócio, e o ambiente regulatório tem de ser amigo do investidor e dos setores produtivos. Os recursos, sejam eles financeiros, humanos e físicos, são limitados e arduamente disputados. Isso exige medidas que contribuam para melhor tomada de decisão que combine investimento e taxas de retorno. Só conseguiremos diminuir a desigualdade social se persistirmos em aumentar a riqueza. Não se divide o que não se tem.

Diante deste quadro de inúmeros desafios, mas, nitidamente, também de grandes oportunidades, para realmente ser um país desenvolvido o Brasil vai precisar integrar ao seu moderno agro uma indústria forte e inovadora nos mercados onde isso for possível, um comércio dinâmico e um setor de serviços criativo e competitivo.

*PRESIDENTE DA SOCIEDADE RURAL BRASILEIRA

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