O euro doente

O euro doente

Os dirigentes europeus estavam reunidos ontem em Bruxelas. Ao mesmo tempo, o euro despencava, cotado a menos de 1,33 em relação ao dólar. A causa está no fato de que a Grécia está falida. Mas tão responsável quanto a Grécia é a Alemanha, que do alto de sua pirâmide de lingotes de ouro não está disposta a ajudar a Grécia a sair do buraco.

, O Estadao de S.Paulo

26 de março de 2010 | 00h00

No entanto, nós que pertencemos à zona do euro deveríamos nos amar. Afinal, estamos no mesmo barco. Enfrentamos as mesmas tempestades, as mesmas névoas. Temos a mesma moeda, e portanto o mesmo destino.

É assim que tem sido desde a criação do euro, há dez anos. Mas, há três meses, sopram ventos maléficos. Cada barco se preocupa apenas em não afundar. E, na hora de reunir a esquadra, o navio mais majestoso, a Alemanha, não tem a menor vontade de socorrer a Grécia, esta velha barcaça que ficou sem mastro.

Qual é o problema? A Grécia está definhando. Não tem um centavo, mas precisa de 30 bilhões. O bom senso diria que a zona do euro deveria emprestar à Grécia. Mas os alemães dizem: "Não!"

Os alemães aconselharam os gregos a vender ilhas. A resposta foi mordaz: por que não pedir uma indenização por todo o ouro que os nazistas roubaram da Grécia? "Eles tomaram nosso dinheiro", disse o vice-premiê Theodore Pangalos, "e nunca o devolveram!"

A intransigência da Alemanha provoca inquietação em todos os outros países da zona do euro. A chanceler Angela Merkel disse que seria melhor que, para acabar com o pânico, a Grécia recorresse ao FMI, e não à União Europeia.

Além do drama germano-grego, vislumbra-se outro mais sombrio: não deveríamos temer que a Alemanha se afastasse da UE e da zona do euro? Não podemos esquecer de que existe na Alemanha (como na Grã-Bretanha) uma corrente hostil à UE.

Um esfriamento entre Berlim e o euro seria perigoso. Não devemos esquecer de que, no início, e ao longo dos 50 anos de história, a UE foi liderada, consolidada, inspirada pela dupla França-Alemanha. Foi a união dos dois países que derrubou todos os obstáculos. Se a Alemanha der as costas à Europa, todo o edifício europeu poderá desmoronar. / TRADUÇÃO: ANNA CAPOVILLA

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