O 'fast fashion' dos móveis

Site de vendas online que quer concorrer com Etna e Tok&Stok terá todo mês novas coleções assinadas por designers

Fernando Scheller, de O Estado de S.Paulo,

28 de novembro de 2011 | 03h07

 

Coleções rápidas, que mudam a cada 30 dias, são a arma doalemão Max Reichel, criador do site Oppa, que entra no ar no começo dedezembro, para criar um novo conceito no cada vez mais concorridomercado de móveis no País: o fast fashion de peças de mobília comdesign assinado. Reichel, que chegou ao Brasil como executivo daconsultoria McKinsey, resolveu empreender e captou dinheiro de fundosde investimento - como o brasileiro Monashees e o americano ThriveCapital - para abrir a loja online que venderá design a preçospopulares.

O empresário alemão, de 29 anos, não revela quanto dinheiro os fundos investiram na ideia. Mas, pela lógica do mercado, um negócio que não é puramente online, pois envolve produção e distribuição de produtos, precisa de um investimento próximo a R$ 10 milhões para sair do papel. As coleções mensais, segundo Reichel, serão a chance para novos designers se lançarem no mercado: "Acho que o design de móveis das lojas brasileiras parece cópia do que já se viu na Europa. A minha ideia é dar a primeira chance para os profissionais que estão saindo da universidade assinarem uma peça. Com isso, ofereço móveis mais originais."

A estratégia de apostar em novos talentos e a opção por aproveitar os espaços ociosos em diversas fábricas de móveis no País são táticas que o Oppa emprega para cumprir seu maior objetivo: oferecer preços competitivos em relação às principais referências em design popular no País, a Tok&Stok e a Etna. "Acho que conseguiremos ficar entre 20% a 30% abaixo dos preços praticados por essas lojas", diz o empreendedor. Um sofá de quatro lugares, parte da primeira coleção mensal da Oppa, será vendido por cerca de R$ 2 mil.

Para garantir variedade à coleção, Reichel explica que o planejamento do Oppa descartou a reedição de modelos de móveis, mesmo daqueles que tenham grande aceitação. "A ideia é que a peça seja relativamente exclusiva. Depois que o período da coleção expirar, o produto não voltará. Se o cliente realmente se apaixonou por algo, o melhor é comprar. É a regra do fast fashion", diz o empresário. O idealizador do Oppa também descarta liquidações para se livrar de eventuais encalhes: "O objetivo é aumentar a produção aos poucos, para que tenhamos uma ideia do que o consumidor gosta mais - a escala virá dessa observação. Estamos preparando um esquema de doações das sobras."

Concorrência. O comércio de móveis com elementos de design pela internet não é um terreno inexplorado no Brasil. A catarinense Meu Móvel de Madeira, subsidiária da Celulose Irani, está no mercado há cinco anos. A empresa, que vende móveis de madeira de florestas replantadas, nasceu com o objetivo de ocupar a capacidade ociosa de uma indústria que pertencia ao grupo. No entanto, o site cresceu tanto que a fábrica foi desativada. Hoje, o Meu Móvel de Madeira concentra-se em design, comercialização e logística - toda a produção é terceirizada em Santa Catarina e no Paraná.

O faturamento do Meu Móvel de Madeira cresceu acima de 50% nos últimos dois anos, de acordo com o diretor da operação, Ronald Heinrichs. A receita da empresa já está acima de R$ 10 milhões por ano - caso a expansão atual seja mantida, o executivo afirma que o faturamento atingirá R$ 100 milhões até 2016. A expansão de uma empresa de internet, afirma Heinrichs, depende da propaganda "boca a boca". "Um problema de atendimento ganha repercussão maior nas redes sociais, onde você reclama para 300 amigos de uma vez. O serviço precisa ser impecável. E estamos sempre atentos ao que estão falando da gente."

A entrega é uma preocupação comum entre Oppa e Meu Móvel de Madeira. O idealizador da Oppa afirma que os entregadores da empresa permanecerão na casa do cliente enquanto ele abre a encomenda. "Se houver qualquer problema, a questão poderá ser resolvida na hora", explica. Já o Meu Móvel de Madeira, pensando nos atrasos de entrega comuns no fim do ano, lançou um desafio: promete entregar todos os pedidos feitos até a zero hora do dia 22 de dezembro na véspera do Natal. Caso alguém fique sem presente, o produto não será cobrado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.