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O fator Maranhão

O País precisa de um diagnóstico claro, de um plano crível, de uma virada rápida e de direção firme; E isso não se terá enquanto o processo de impeachment não tiver sido concluído

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2016 | 21h00

Tumulto, instabilidade, atropelamento - seja qual for o nome que se dê a confusões desse tipo - é o que menos ajuda a economia brasileira, que segue vivendo de estertores em estertores.

A decisão tomada nesta segunda-feira pelo presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), de anular o processo de impeachment acolhido na Câmara por 367 deputados e que já tramita no Senado, não é apenas uma nova bomba ou, a depender do encaminhamento que lhe for dado, uma tentativa de bomba. Ela produz solavancos, cria enorme volatilidade no mercado financeiro - onde ajuda oportunistas e aproveitadores a ganhar dinheiro fácil (veja no gráfico os trancos no mercado ao longo do dia). Além disso, tumultua o processo de decisões na microeconomia e adia projetos de investimentos e de contratação de pessoal.

Pode-se contrapor a essa avaliação o argumento de que, apesar dos problemas que produzem, recursos casuístas e irresponsáveis como esse pelo menos ajudam a eliminar certos obstáculos que poderiam colocar em dúvida a validade de um processo de tão alta gravidade, como o de um impeachment. Pode ser, mas a que custo?

Alguns setores da economia já estão voltando naturalmente aos trilhos. A inflação é um deles. Embora mais lentamente do que o esperado, a tendência é de certa desaceleração na alta de preços, como os analistas vêm apontando e os levantamentos da Pesquisa Focus, do Banco Central, confirmam.

Outra área da economia que mostra forte ajuste, este bem mais rápido do que o projetado, é a das contas externas. O déficit em conta corrente de US$ 58,9 bilhões, ou de 3,3% do PIB, em 2015 tende a ser zerado ainda no primeiro trimestre de 2017. E essa percepção deve acelerar a volta de capitais ou a entrada dos mais relutantes. Novas turbulências políticas como as produzidas nesta segunda-feira trabalham contra essa recuperação.

No entanto, é na área fiscal onde se concentram os descalabros da política econômica do governo Dilma, cuja solução acaba sendo adiada por essas novas confusões. Além dos rombos e das pedaladas já admitidos ou vislumbrados, começam a aparecer indícios de esqueletos fiscais, que algumas estimativas consideradas conservadoras avaliam em mais de R$ 250 bilhões (ou 4,2% do PIB), como o Estadão revelou na edição desta segunda-feira.

Como os terremotos que provocam incêndios e inundações, em consequência desse desastre outros desastres acontecem. O desemprego já ultrapassa os 10% e tende a avançar para acima dos 12%. É mais um fator que derruba a renda do trabalhador, semeia insegurança nas famílias e contrai o mercado de consumo.

Para enfrentar essa desolação, o País precisa de um diagnóstico claro, de um plano crível, de uma virada rápida e de direção firme. E isso não se terá enquanto o processo de impeachment não tiver sido concluído. Daí por que todas essas manobras divisionistas e protelatórias trabalham contra os interesses da população.

CONFIRA:

Projeções Focus

Depois que a Ata do Copom, divulgada na última quinta-feira, deixou claro que a inflação continua alta demais e que, por isso, ninguém deva esperar por redução imediata dos juros, o mercado passou a prever alta de preços mais renitente. Acaba de projetar inflação de 7,0% em 2016, mais alta do que na semana anterior, quando trabalhava com 6,94%.

PIB

Enquanto isso, para evolução do PIB, as projeções da Pesquisa Focus passaram a ser um tico melhores: de menos 3,86% em vez de menos 3,89%.

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