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Fábio Alves
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O fim da euforia?

O crescimento não será tão forte quanto o que se esperava na virada do ano passado

Fábio Alves*, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2020 | 04h00

Há, neste momento, uma desconfortável correlação entre o ritmo da atividade econômica e o desempenho da Bolsa brasileira: após um período de euforia, ambos passam por um processo de revisão para baixo das expectativas.

Quanto ao PIB, houve até quem projetasse, em determinado momento, um crescimento de 1% no quarto trimestre de 2019. Agora, depois da decepção dos indicadores de atividade referentes a novembro e de alguns para o mês de dezembro, como a produção industrial, as estimativas de expansão no quarto trimestre migraram para 0,5%.

Em relação à Bolsa, depois de atingir a máxima histórica intraday de 119.593,10 pontos no dia 24 de janeiro passado, o Ibovespa cedeu mais de 7 mil pontos até bater a mínima intraday de 112.134,40 pontos no pregão da segunda-feira.

Contribuíram para esse recuo do Ibovespa fatores ligados à geopolítica mundial, como o ataque aéreo dos Estados Unidos que matou o líder militar do Irã, e também o temor do impacto nas economias global e chinesa com o surto do coronavírus.

Mas é o desempenho aquém do esperado dos últimos indicadores da economia o pano de fundo da consolidação do Ibovespa para um patamar mais abaixo do recorde histórico. Isso porque havia aposta de que um crescimento mais robusto do PIB brasileiro em 2020, por volta de 2,5%, poderia atrair um fluxo maior de investidores para a Bolsa, em especial de estrangeiros, além de turbinar os resultados das empresas.

Não à toa a grande expectativa em relação aos indicadores de atividade referentes a dezembro de 2019 que serão divulgados esta semana: vendas do varejo (hoje), serviços (amanhã) e o índice de atividade econômica do Banco Central, IBC-Br (sexta-feira).

Conforme pesquisa do Projeções Broadcast, as vendas do varejo ampliado, que incluem o setor de veículos e de material de construção, devem cair 0,2% em dezembro ante novembro.

Uma frustração com esse indicador, ou seja, se a queda for maior do que o consenso das estimativas aponta, poderá deflagrar uma nova rodada de revisão para baixo do PIB, uma vez que um desempenho mais fraco da atividade econômica na virada de 2019 para este ano acaba resultando num carrego mais baixo para as estimativas de 2020.

Não se deve esperar, contudo, que as projeções para o crescimento do PIB em 2020 desabem. Por enquanto, a situação é: a economia brasileira segue em recuperação, embora em ritmo mais lento do que o esperado até o início do ano. Em outras palavras: o crescimento não será tão forte quanto o que se esperava no meio da euforia que tomou conta do mercado na virada do ano passado.

Na mais recente pesquisa Focus, do BC, a projeção de expansão do PIB neste ano segue em 2,30%. Se os indicadores de atividade a serem divulgados nesta semana voltarem a decepcionar, é possível que esse consenso das estimativas do PIB na pesquisa Focus comece a recuar, embora de forma gradual.

No entanto, se a fraqueza observada até o momento nos indicadores do quarto trimestre seguir contaminando a atividade econômica no primeiro trimestre de 2020, não se pode descartar que a projeção do crescimento do PIB neste ano possa cair até o patamar de 2%.

Por outro lado, se o resultado das vendas do varejo, serviços e IBC-Br de dezembro surpreender positivamente, o mercado não vai se animar tanto, pois deverá esperar uma consistência maior do desempenho da atividade econômica – se isso perdurar ao longo do primeiro trimestre deste ano – antes de retomar as apostas de crescimento de 2,50%.

De qualquer forma, o que se discute neste momento não é se a recuperação da economia brasileira corre risco de não acontecer, mas sim a magnitude dessa retomada, afinal uma revisão para baixo das projeções do PIB neste ano de 2,30%, atualmente, para 2,0% – no cenário mais pessimista – não é uma diferença que mude o cenário totalmente. Desastre era se o PIB voltasse a crescer apenas 1%, como nos últimos anos.

Afeta, contudo, um pouco o sentimento. Não só dos empresários, como também dos investidores. Fica difícil ver o Ibovespa disparar para novos recordes de alta ou até recuperar os 119 mil pontos se a aceleração da economia perder fôlego. E ainda nem se sabe a magnitude do impacto do coronavírus sobre o PIB brasileiro.

* COLUNISTA DO BROADCAST 

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