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O fim do virtual

Quando publicou Neuromancer, há mais de 30 anos, William Gibson imaginava "ciberespaço" como algum lugar para o qual as pessoas iam, ao se conectar a uma rede de computadores, para viver uma vida paralela. Ele teve a ideia ao ver o comportamento de adolescentes quando se enfrentavam em jogos eletrônicos.

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2015 | 02h06

Mas o mundo mudou. Numa entrevista ao Washington Post, em 2007, o escritor disse que a palavra não fazia mais sentido. Quando ele começou a escrever sobre o ciberespaço, a conectividade era rara. Agora, os momentos desconectados é que são poucos. Levamos a internet nos nossos bolsos, no celular. As cidades estão cheias de câmeras, sensores e telas ligados à rede. Em casa, televisores, videogames e outros dispositivos também estão. "Não houve um amanhecer tingido de vermelho em que nos levantamos, olhamos pela janela e dissemos: 'Oh meu Deus, tudo é ciberespaço agora'", disse Gibson, na época.

E tudo é ciberespaço agora. Daí que não faz mais sentido falarmos em ciberespaço. A maior parte do dinheiro já não circula fisicamente. Bens culturais, como livros, música e filmes, perdem cada vez mais o suporte físico.

Na semana passada, o presidente do conselho do Google, Eric Schmidt, disse que a internet vai desaparecer. Foi uma afirmação de impacto, mas tem o mesmo sentido da explicação de Gibson para o esvaziamento da palavra ciberespaço. "A internet vai fazer parte da sua presença o tempo todo", explicou Schmidt, durante o Fórum Econômico de Davos. "Imagine entrar numa sala, e a sala ser dinâmica. E, com sua permissão e tudo mais, você interage com as coisas que acontecem na sala."

Uma mostra disso foi dada, também na semana passada, por um concorrente do Google. A Microsoft apresentou, no lançamento do Windows 10, o HoloLens, óculos que mostram imagens tridimensionais sobrepostas ao ambiente, para que as pessoas interajam com elas por voz e movimento das mãos.

O novo produto da Microsoft, que deve chegar ao mercado este ano, é um exemplo interessante de como essa barreira entre real e virtual é cada vez mais tênue. Os relatos sobre os testes com o HoloLens mostram um avanço em relação ao Kinect (leitor de movimentos criado pela Microsoft). O dispositivo permite, por exemplo, criar com as mãos um objeto digital e interagir com ele em tamanho real, para depois imprimi-lo numa impressora 3D.

Como muitos apontaram, apesar de ser chamado pela Microsoft de holográfico (e, tecnicamente, não ser), o HoloLens é um dispositivo de realidade aumentada, em que elementos digitais são superpostos ao ambiente.

O HoloLens é uma nova aposta nos computadores de vestir (como óculos, relógios e pulseiras), que, apesar de serem uma tendência promissora, ainda não têm um produto de sucesso.

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