O fim dos dogmas do PT

BASTIDORES: Vera Rosa

O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2013 | 02h04

A presidente Dilma adotou a cartilha do pragmatismo na economia e fará ajustes em seu discurso político para recuperar a queda de popularidade, detectada em pesquisas. A intenção de Dilma, candidata à reeleição, é transmitir confiança aos empresários e se reaproximar dos eleitores que têm demonstrado pessimismo com os rumos da economia.

Ao tentar "vender" um Brasil "market friendly", elevar os juros em 0,5 ponto porcentual e zerar o IOF cobrado das aplicações de capitais estrangeiros em títulos de renda fixa, a presidente enterra antigos dogmas do PT. Não é só: para não deixar a peteca cair, faz mudanças na política econômica bem ao estilo "pão pão, queijo queijo", como diria o ex-presidente Lula.

Antes da crise financeira, o discurso do governo era o de que o Brasil não precisava de "capital especulativo" porque a aposta era no "capital produtivo".

A decisão de zerar o IOF tem como alvo a atração de dólares para o País, uma medida que ajuda a reduzir o preço do dólar e a segurar a inflação. "Dilma não vai deixar ter inflação. Aecinho pode ficar andando de ônibus, mas vai falar sozinho", ironizou o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, numa referência ao programa de TV do PSDB, que mostrou o senador Aécio Neves (MG), provável candidato à Presidência, batendo pesado na alta de preços, dentro de um ônibus.

Com pesquisas indicando o receio da população com desemprego e inflação, a presidente fará de tudo para recuperar os pontos perdidos. A um ano e quatro meses das eleições o que dá as cartas, agora, é mesmo o pragmatismo.

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