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O financiamento sumiu, e agora?

Sete dicas para quem vai comprar imóvel e não pode pagar à vista

VIVIANE ZANDONADI- ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

19 Maio 2015 | 17h49

Principal banco financiador de residências no país, a Caixa Econômica Federal mudou as regras de financiamento de casas e apartamentos usados. Desde o início de maio, quem deseja parcelar a compra a longo prazo tem de participar com uma entrada de no mínimo 50% do valor do imóvel pretendido. Antes, era possível dar apenas 10% de entrada. Nos bancos privados, por sua vez, as taxas de juros estão mais altas. Então qual é a saída para comprar imóveis usados (ou novos)?

"Estamos em um momento de transição. Havia muita facilidade na concessão do crédito imobiliário, havia uma grande disputa entre os bancos, um grande interesse em criar margem e praticamente nos últimos quatro meses a gente viu o mundo virar de cabeça para baixo", avalia Celso Amaral Neto, diretor da consultoria Geoimovel. Segundo ele, tudo passa pela poupança. Quanto mais entrada o consumidor tiver, melhor. "Vale a pena vender o carro e o que mais for possível e assim se endividar menos", diz. "Para ter uma ideia, a taxa de juros nos Estados Unidos é de 3,9 a 4,5% ao ano. Nós estamos com 9%. O dobro. Então, na realidade, você compra um imóvel no Brasil e paga três."  


Veja a seguir sete dicas de Celso Amaral Neto para quem vai investir na casa própria.

1. "Para comprar um imóvel é preciso, em primeiro lugar, ter a certeza no futuro. A certeza no futuro de seu emprego." 

2. "O consumidor tem de ser comedido e fazer as dívidas dentro de sua capacidade de pagamento. Os juros subiram e não subiram pouco. Embora o governo fale que é pouco, não é pouco. É um valor significativo então tem de ter mais pé no chão." 

3. "O sinal dado no financiamento não pode fazer falta. Se não, o consumidor se aperta no futuro, quando virão outras taxas, as parcelas do próprio financiamento etc. Tem de ser uma compra mais racional. Esse é um momento mais conservador."

4. "As grandes incorporadoras estão com o estoque muito alto [de imóveis novos]. Ainda há boas oportunidades. Tem de fazer uma boa pesquisa e negociar e negociar e negociar." 

5. "Quem está morando num imóvel alugado e precisa mudar de posição vai ter de dar um passo menor, comprar um apartamento menor, vender outros bens para se endividar menos. É mais seguro. Com isso o consumidor não se aperta, consegue comprar o imóvel e quem sabe daqui a cinco anos, o pais estando em outro momento, ele possa de novo usar esse imóvel como parte de pagamento e aí sim mudar para o imóvel de desejo dele?"

6. "Como aumentou a oferta dos imóveis, ainda que tenha subido em algumas regiões, o aluguel não está tão alto. Se o consumidor conseguir ficar num apartamento alugado por um tempo maior e juntar o dinheiro é melhor."

7. "O problema da construção é ter de ter um dinheiro para comprar o terreno e muito provavelmente construir mais a longo prazo. Da mesma forma está complicado o financiamento, hoje, para a construção. Tudo depende da vocação da pessoa. É uma delícia comprar o terreno e construir, mas o preço do terreno em uma cidade como São Paulo é alto. Às vezes, para viver em uma casa, tem de se afastar do centro urbano, ir para a periferia ou procurar um condomínio horizontal. Mas, de novo, esse movimento passa pela poupança. Não tem jeito."

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