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''O FMI deve ter uma postura de humildade''

Um dos homens fortes do Fundo, ele diz que houve falha na comunicação ao mercado de problemas que ocorriam desde 2005

Entrevista com

Paula Pacheco, O Estadao de S.Paulo

23 de maio de 2009 | 00h00

O carioca Murilo Portugal é o terceiro executivo na hierarquia do Fundo Monetário Internacional (FMI) como vice-diretor gerente. Estão sob sua responsabilidade 21 países da América Latina, 21 da África e 18 da Europa, Ásia e Oriente Médio. Num momento em que o papel do organismo multilateral é rediscutido, Portugal faz uma autocrítica sobre o desempenho do FMI. Em entrevista ao Estado, diz: "É preciso ter humildade". Os efeitos da crise amenizaram?Há alguns sinais encorajadores tanto nos mercados financeiros quanto na economia real. No último mês ocorreu uma melhora acentuada nos mercados acionários no mundo. As condições do crédito também melhoraram. Os spreads para as empresas diminuíram, ocorreram emissões de bônus e os fluxos de capitais para os países emergentes retornaram. A confiança dos consumidores melhorou, embora ainda esteja em um nível baixo. Alguns itens da indústria de transformação, as vendas no varejo e as exportações de mercadorias estão caindo a taxas negativas menores, o que pode ser uma inversão de tendência. Esses fatores todos têm sido interpretados como o pior já passou. A nossa previsão é que a economia mundial volte a crescer no fim deste ano ou no começo do ano que vem. Possivelmente vai ser uma recuperação lenta. Prevemos um crescimento de 1,9% para 2010 e uma queda de 1,3% para este ano. Infelizmente o desemprego talvez continue a crescer no próximo ano. Aí talvez o pior ainda não tenha passado. É a última coisa a recuperar. É um assunto mais preocupante nas grandes economias. Já o Brasil vai se recuperar mais rápido.Os "testes de estresse" aos quais foram submetidas as instituições financeiras dos EUA devem ser aplicados a outras regiões?São um passo importante para restaurar a confiança nos bancos porque eles ajudam a identificar os riscos a que os balanços dos bancos possam estar submetidos. Ajudam também a identificar as necessidades de aumento de capital associadas a esses cenários. A resposta nos Estados Unidos com a divulgação desses resultados foi positiva. Os spreads dos CDFs dos bancos, um derivativo de risco de crédito, caíram bastante. Os preços das ações dos bancos aumentaram. Essa reação positiva indica que outras regiões no mundo que enfrentam problemas semelhantes no setor financeiro poderiam se beneficiar da realização de testes desse tipo.O Brasil também deveria passar pelo "teste de estresse"?Eu acho que não. Esta desconfiança do setor financeiro não aconteceu com os bancos brasileiros, que são muito bem capitalizados. São bancos muito líquidos, rentáveis. E na América Latina, o teste se aplicaria a algum país?Não seria tão importante quanto foi nos EUA ou na Europa.O que se pode esperar do FMI?Estamos implementando uma série de reformas para responder mais satisfatoriamente a essa crise. Cabe a nós o monitoramento do sistema financeiro globalmente e de cada país e também das economias, por meio dos relatórios que publicamos. Isso não quer dizer que não tenham ocorrido algumas falhas da nossa parte nesse processo de monitoramento, que a gente não possa melhorar. Alguns dos problemas que estão na raiz dessa crise já haviam sido apontados pelo Fundo desde 2005, antes de a crise eclodir. Por exemplo, o excesso de alavancagem do sistema financeiro dos países desenvolvidos, o risco das hipotecas de baixa qualidade nos EUA, a inconsistência da atuação de algumas agências de hipoteca americanas que atuavam de forma privada mas tinham uma garantia pública. Entretanto, esses alertas que o Fundo deu foram feitos de forma muito genérica, sem chamar a atenção o suficiente da opinião pública e das autoridades. Além disso, nem o Fundo, nem nenhuma outra instituição conseguiu modelar as possíveis implicações desses problemas e antecipar as dimensões que esses problemas poderiam vir a adquirir. Isso decorre do fato de que na ciência econômica ainda não se desenvolveu um conhecimento teórico e métodos empíricos satisfatórios para modelar todas essas inter-relações que existem tanto dentro do próprio setor financeiro quanto do setor financeiro com o setor real. Temos de reconhecer as nossas limitações, ter uma postura de humildade em relação à magnitude dos problemas que existem e dentro dessas limitações nós estamos procurando melhorar os mecanismos de monitoramento e estender para os países desenvolvidos alguns exercícios que nós tínhamos aqui de identificação de vulnerabilidades, que já eram feitos em países emergentes, procurando desenvolver com o Conselho de Estabilidade Financeira, o Financial Stability Board (FSB) sistemas que permitam emitir avisos precoces de problemas que possam ocorrer.Esta reformulação das funções do Fundo leva quanto tempo?Atuamos em três frentes: análise posterior do que aconteceu na crise; as recomendações de política econômica aos países para enfrentar a crise e o financiamento aos países. Fizemos uma reforma profunda nos nossos instrumentos de empréstimo. Duplicamos o acesso normal aos nossos recursos de 300% para 600% da cota de cada país, simplificamos a condicionalidade dos empréstimos e focamos apenas nas medidas imprescindíveis para a solução da crise. Desde que a crise começou já emprestamos US$ 117 bilhões, dos quais cerca de US$ 67 bilhões são dentro dessa nova linha de crédito flexível. Nos países de baixa renda, com menos condições de enfrentar a crise, a previsão é triplicar os empréstimos nos próximos anos.

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