Stefani Reynolds/The New York Times - 5/12/2021
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Fábio Alves
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O foco dos principais bancos centrais de todo o mundo será o controle da inflação

Movimento sincronizado de alta de juros terá um efeito adverso, em particular, sobre países emergentes: o aperto das condições financeiras

Fábio Alves*, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2021 | 04h00

Na semana passada nada menos do que 11 bancos centrais – entre países desenvolvidos, emergentes e subdesenvolvidos – elevaram suas taxas básicas de juros, em meio a um inimigo comum ao redor do globo: a inflação alta.

Além disso, o BC mais importante do mundo, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano), dos Estados Unidos, acelerou a retirada dos estímulos monetários adotados durante a pandemia de covid e sinalizou que iniciará um ciclo de alta de juros mais cedo do que previsto, provavelmente até junho do ano que vem. E até o reticente Banco Central Europeu (BCE) adotou uma postura monetária mais restritiva.

Os dirigentes de todos esses bancos centrais deixaram para um segundo plano a preocupação com o impacto à atividade econômica com o aumento de casos de covid em razão da nova cepa, a Ômicron, o que já forçou, por exemplo, alguns países europeus a voltar a impor medidas mais duras de distanciamento social.

A decisão que mais surpreendeu, na semana passada, foi a elevação dos juros pelo Banco da Inglaterra (de 0,10% para 0,25%). O Reino Unido tem sido um dos mais atingidos pela Ômicron, com aumento de casos e de mortes, mas mesmo assim optou por combater a recente escalada da inflação.

Esse parece que será o tema dominante entre os principais bancos centrais, ao menos no primeiro semestre de 2022: a necessidade de controlar a inflação e as expectativas inflacionárias vai ser a prioridade em detrimento ao temor de uma desaceleração maior da economia.

Um levantamento do Pew Research Center, um “think tank” com sede em Washington, mostrou que, durante o terceiro trimestre deste ano em comparação com igual trimestre de 2019, antes da pandemia, a inflação foi mais elevada em 39 dos 46 países pesquisados.

Em 16 desses países, incluindo os EUA, o índice de preços ao consumidor ficou mais de dois pontos porcentuais acima entre julho e setembro deste ano em relação ao mesmo período de 2019. E o Brasil lidera esse ranking, com o IPCA cerca de seis pontos porcentuais mais alto no período pesquisado.

Em comum a quase todos os países, a inflação maior foi resultado de preços de energia mais altos; de gargalos na cadeia mundial de produção, afetando a oferta de insumos; e de demanda mais aquecida de consumidores com a reabertura das economias após avanço da vacinação contra covid.

Esse movimento praticamente sincronizado de alta de juros pelos bancos centrais terá um efeito adverso, em particular, sobre países emergentes: o aperto das condições financeiras. Remédio amargo para essas economias.

*COLUNISTA DO BROADCAST

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