O fundo do poço e o day-after

Com as informações parciais já disponíveis para o 2.º trimestre tem-se a impressão de que a atividade econômica, ao menos em termos agregados, atingiu ou está próxima de atingir o “fundo do poço”

Bráulio Borges, O Estado de S.Paulo

01 Junho 2016 | 21h20

Os números revelados pelo IBGE para o PIB brasileiro no 1.º trimestre apontaram o menor ritmo de contração dessazonalizada desde o fim de 2014 e, pela primeira vez em bastante tempo, surpreenderam favoravelmente.

Ademais, com as informações parciais já disponíveis para o 2.º trimestre tem-se a impressão de que a atividade econômica, ao menos em termos agregados, atingiu ou está próxima de atingir o “fundo do poço”, no âmbito de um ciclo recessivo que teve início no 2.º trimestre de 2014 e, a essa altura do campeonato, mimetiza as duas piores recessões enfrentadas pelo Brasil nos últimos 40 anos.

Diante disso, emerge a seguinte pergunta: o que esperar daqui em diante, uma recuperação lenta ou uma reversão cíclica mais vistosa? Tenho algumas impressões.

Em primeiro lugar, é condição necessária para uma recuperação, pelo menos, a estabilização da (ainda elevada) incerteza política. Em dito isso, avalio que a economia brasileira opera hoje com enorme ociosidade em suas plantas, bem como no mercado de trabalho. Certamente há alguma perda de capacidade produtiva (empresas sendo fechadas, investimentos não concluídos, dentre outros), mas ainda assim o quadro é de uma ociosidade elevada – o que é uma notícia muito ruim agora, no curto prazo, mas não tão ruim olhando mais à frente, na medida em que abre espaço para que a economia cresça bastante.

Como, então, promover um kick-start na economia, de modo a ocupar essa elevada ociosidade? A agenda de reformas econômicas que está sendo colocada em pauta é importante, mas não se deve ter a ilusão de que trará crescimento razoável instantaneamente. Com efeito, um programa audacioso de investimentos em infraestrutura, com participação majoritária do setor privado, seria uma boa política, unindo o útil (estímulo à demanda no curto prazo) com o agradável (redução do custo Brasil no médio e longo prazos).

*Economista Sênior da LCA 

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