Imagem Renato Cruz
Colunista
Renato Cruz
Conteúdo Exclusivo para Assinante

O futuro da TV

As lojas de eletrônicos gastam expor, na entrada, televisores com tecnologia 4K. São os modelos mais caros e a qualidade da imagem é muito melhor do que os modelos de alta definição (HD, na sigla em inglês), a que estamos acostumados. O problema é que os canais oferecidos no Brasil não estão em 4K (também chamado de Ultra HD).

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2015 | 02h04

O 4K tem uma resolução que equivale a quatro vezes a do HD. Ou seja, é formada por quatro vezes mais pontos. Isso faz diferença principalmente em aparelhos de telas maiores. Não existe como aumentar o tamanho das telas sem ampliar a resolução. A imagem começa a ficar pixelada, já que os pontos que a formam passam a ser visíveis. É a mesma coisa que aconteceu, na década passada, quando os primeiros televisores HD chegaram ao mercado brasileiro e ainda não havia transmissão nessa tecnologia. Teve gente que achou que os aparelhos não prestavam, porque a imagem ficava ruim, já que a resolução dela era baixa.

Olímpio Franco, presidente da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), destacou que não existe nenhuma definição sobre transmissões em 4K na TV aberta brasileira. Pior que isso: não há espaço no espectro radioelétrico para que elas aconteçam por aqui. Neste ano, começa o desligamento da TV aberta analógica no País, com o fim das transmissões, no dia 29 de outubro, em Rio Verde (GO), escolhida como cidade-piloto.

Em São Paulo, o desligamento é previsto para o ano que vem. O processo termina, nacionalmente, em 2018. Depois de um ano da desocupação, os canais da TV analógica serão usados pelas operadoras de telecomunicações para ampliar o serviço de celular de quarta geração (4G). E ainda não se sabe como será feita a evolução tecnológica da TV aberta. Para adotar o 4K, cada emissora precisaria receber, como aconteceu na transição para o digital, mais um canal. Dessa forma, haveria transmissão simultânea de dois sinais, já que as TVs HD não conseguem exibir imagens em 4K.

Por aqui, a TV paga fez testes em 4K, como os jogos da Copa que foram transmitidos pela Net nessa tecnologia. O grande impasse está na evolução da TV aberta. Noventa e sete por cento das residências no Brasil possuem televisores, mas menos de 30% têm algum serviço de TV paga. As empresas de TV por assinatura não dependem de política pública para migrar para o 4K, já que é uma questão de adequar a infraestrutura e conseguir conteúdo nesse formato.

O mesmo não pode ser dito da TV aberta, que precisa dos novos canais. Por enquanto, os aparelhos de 4K ainda são artigo de luxo, mas, nos Estados Unidos já existem opções de US$ 500. A tecnologia tem se tornando mais acessível, e onde está a política pública?

Tudo o que sabemos sobre:
Renato CruzTVO Estado de S. Paulo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.