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O futuro do dinheiro

Moedas digitais ganham força e bitcoin atinge cotação recorde este mês

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2021 | 05h00

A discussão do momento é se o bitcoin e outras moedas digitais são o futuro do dinheiro tal como conhecemos. Acredito que já estamos no momento desse assunto ganhar força. As moedas digitais chamam a atenção novamente aqui e no exterior. Primeiro pelo fato que em 14 de abril o bitcoin bateu mais um recorde, atingindo a marca de US$64,8 mil, embora tenha caído nos dias seguintes. Outro fato foi o IPO da Coinbase, maior do setor no EUA, que no primeiro pregão foi avaliada em US$ 85,8 bilhões, embora na abertura do pregão tenha chegado perto de US$100 bilhões.

No nosso ambiente, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que dará notícias sobre a criação de moeda digital no Brasil, como informou Celso Ming aqui no Estadão. Além do bitcoin, existe um grande número de “criptomoedas” e de “moedas estáveis” (stablecoins), mas acreditar que essas moedas substituam as moedas nacionais é algo mais distante. 

Primeiro um olhar sobre o bitcoin. O fato é que esse ativo não cumpre as principais funções da moeda que são meio de troca, reserva de valor e unidade de conta. Pode ser alegado que cumpre o papel de meio de troca, mas a sua vantagem que é o anonimato cria a possibilita de ser usada em muitas atividades ilegais. Tornando-se objeto de combate das autoridades monetárias ao redor do mundo. 

Essa criptomoeda tem se mostrado um investimento altamente especulativo, vale lembrar que 2% das contas controlam 95% dos bitcoins. Um erro comum acerca do bitcoin é assumir que o rali de seu preço é um indicativo de que esse ativo passe a ser adotado largamente. Por seu lado, uma “stablecoin” é uma criptomoeda que tem seu valor de mercado indexado a outro ativo ou cesta de ativos. A “stablecoin” mais amplamente utilizada é a tether, que supostamente está indexada ao dólar americano. Existem outras moedas similares como o diem do Facebook, também, existem moedas estáveis indexadas ao real. Muitas das criticas ao bitcoin são repetidas as “stablecoins”.

Ameaçados pelas moedas virtuais os bancos centrais de todo o mundo começaram a estudar como usar das novas tecnologias e criar moedas digitais controladas pelo Estado, conhecidas como CBDC (Central Bank Digital Currency). Vários projetos estão em desenvolvimento. Exemplo, o Uruguai emitiu “e-pesos” em um teste bem-sucedido do conceito CBDC, está considerando a continuação do projeto em maior escala. O maior projeto em desenvolvimento é o projeto do Banco Popular da China, que se destina em parte a substituir o dinheiro físico.

A ideia do CBDC é que a criação dessa moeda leve a ganhos econômicos de um sistema de pagamentos mais eficiente. Mas, o receio é que uma implantação malsucedida pode desestabilizar um sistema financeiro, isso tem levado aos bancos centrais a proceder com cautela. O nosso BC sempre se mostrou muito eficiente em suas inovações, vamos aguardar para ver. 

 

PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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