O futuro vai ser bom para o Brasil

O futuro vai tratar bem o Brasil O futuro vai ser bom para o BrasilO amanhã vai ser bom para o BrasilO futuro do mundo agora é menos sombrioO futuro do mundo é menos sombrioEconomia mundial está saindo das trevasEconomia mundial sai das trevasO futuro está chegando e vai ser bom para nósSerá que já dá para ver o futuro? É ainda uma visão meio nebulosa, com nuvens escuras ameaçando no céu, mas há sinais de que o futuro não vai tão assustador como se temia. Deixará menos mortos e feridos pelo caminho.Vejam bem, não se trata de fazer previsões, que condeno, pois prever o futuro neste momento é ser pouco responsável e até mentir, mas registrar os sinais que apontam o presente dos dias de amanhã. Sinais de que, à exceção da Europa, a recessão perde força lá sob os golpes vigorosos da China e do novo Estados Unidos de Obama.Os mais recentes indicadores econômicos apontam que teremos ainda alguns meses de recessão, mas ela poderá ser superada no fim do ano. A confirmar-se, teria sido uma grande e arrasadora, mas curta. Um ano. Os bancos centrais e os governos - de novo, com exceção da União Europeia - aprenderam com a experiência do passado. Não para prevê-la, mas para debelá-la. E até agora está funcionando.AQUI TERMINA MAIS CEDONo Brasil, a crise de desconfiança parece superada. A sociedade já acredita nas medidas anticíclicas do governo, como revela o IBGE. No cenário macroeconômico, não faltam sinais positivos. Entre eles, o aumento dos preços das commodities agrícolas, a boa safra, o retorno gradual do crédito, das vendas e, acima de tudo, a queda menor da produção industrial.ELES VOLTARAMO indicador mais importante é o aumento da confiança no Brasil das grandes empresas estrangeiras. Ao contrário dos que buscam apenas o lucro volátil na bolsa ou ganhos com a taxa de juros, elas estão fazendo investimentos produtivos. É dinheiro que fica, que gera produção, exportação, emprego, riqueza. Crescimento, enfim. São os Investimentos Estrangeiros Diretos, IED. A colega Renée Pereira, neste caderno de Economia do Estado de quinta-feira, revela, com exclusividade, que só em maio foram US$ 2,75 bilhões. "É mais do que o dobro dos US$ 1,3 bilhão que o País absorveu em maio do ano passado", assinala. É verdade que, em 12 meses, o ingresso é 17% inferior, ressalta Renée. Mas houve, sem dúvida, uma forte retomada a partir de março, após enorme recuo no primeiro trimestre do ano. Isso se deve a três fatores: 1) o retorno do crédito e do capital no mercado financeiro internacional; 2) a consolidação da grande credibilidade do Brasil no exterior; 3) a ausência de oportunidades seguras de investimentos produtivos num mundo em recessão. Com exceção da China, nenhum país oferece um potencial de crescimento do mercado interno como o Brasil. A manter-se esses cenários interno e externo, os investimentos diretos só tendem a crescer este ano. Podem ficar entre US$ 25 bilhões e US$ 30 bilhões, atrás apenas do recorde de US$ 43 bilhões em 2008.E O DÓLAR?Vai continuar se desvalorizando. É um desafio que a equipe econômica enfrenta. Sério? Sim, mas não fatal. Fere mas não mata. Os seus efeitos negativos podem ser compensados em parte pela estabilização econômica, o equilíbrio e até superávits nas contas externas e o aumento das reservas, entre outros pontos positivos.EUA E CHINA AJUDAMO cenário externo continua sério, mas preocupa menos. Só a zona do euro não faz nada e não reduz os juros, apesar de a inflação ter caído de mais de 4% para... 0%! Os Estados Unidos e a China estão executando uma vigorosa política financeira e fiscal com a injeção de trilhões de dólares na economia, sem parar. Nos EUA, decididamente Obama está contendo a recessão. É uma pena que não tenha chegado antes. Lembro-me bem que Krugman, entre outros, nos quais a coluna se inclui, chegou a propor a antecipação excepcional das eleições, argumentando, com razão, caso de gravidade máxima. E era mesmo. A economia americana caminhava para o caos nos últimos meses do ano passado e no primeiro trimestre deste ano.Hoje, o cenário ainda é grave,mas, mesmo assim, melhor. O teste de estresse dos bancos afastou a ameaça de um novo Lehman Brothers, embora o sistema ainda continue frágil. O déficit aponta para US$ 1,8 trilhão, mas, se a economia voltar a crescer e com ajustes tributários, ele poderá recuar nos próximos anos. Enquanto isso, o mundo continuará investindo nos EUA simplesmente porque não há lugar mais seguro.Na China, que é a chave da recuperação mundial, a economia reage bem ao estímulo fiscal de US$ 586 bilhões e ao enorme aumento do crédito bancário. Só no trimestre, nada menos que US$ 668 milhões, mais do que em todo o ano passado! A manter-se nesse ritmo, até o fim do ano mais de US$ 2 trilhões estarão financiando as empresas e os consumidores chineses. E há ainda 800 milhões que pouco consomem.São esses fatos que levam a coluna não a fazer previsões, mas dizer que os dias de amanhã serão menos sombrios. Não haverá ainda recuperação econômica, crescimento, mas o pior da recessão está ficando para trás. E isso principalmente no Brasil, que, ao contrário de outros, soube enfrentá-la mais cedo. *E mail: at@attglobal.net

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