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O gênio solitário

Renato Cruz

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2013 | 02h07

A imagem do inventor como um gênio solitário ficou marcada na imaginação de muita gente. Essa ideia vem do século 19 e, nos últimos 100 anos, deixou de ser realidade. A criação de novos serviços e produtos é, cada vez mais, trabalho de grandes equipes, muitas vezes espalhadas por várias cidades, em diversos países.

Um dos últimos, se não o último, inventor como gênio excêntrico e solitário foi Nikola Tesla. Principal rival de Thomas Edison (criador da lâmpada elétrica), Tesla fez boa parte de sua carreira nos Estados Unidos. Ele nasceu em 1856 na cidade de Smiljan, que hoje faz parte da Croácia. Seus pais eram de origem sérvia.

Tesla criou o sistema elétrico de corrente alternada, que permitiu a transmissão de energia por longas distâncias, e o motor de indução, presente nos mais diversos tipos de equipamentos, de aspiradores de pó a submarinos. Ele registrou mais de 300 patentes, mas suas ideias mais ousadas acabaram por não se concretizar.

Entre os projetos que não foram para frente estavam robôs, máquinas de fotografar pensamentos, armas de raio da morte e dispositivos de controle do clima, além da transmissão sem fio da eletricidade.

Museu. Na quinta-feira, a Friends of Science East, uma organização sem fins lucrativos, anunciou a compra do antigo laboratório de Tesla em Shoreham, a cerca de 100 quilômetros de Manhattan, em Nova York. A ideia é transformar o laboratório abandonado no Centro de Ciências Tesla em Wardenclyffe, um museu e centro de ensino científico. O imóvel foi vendido pela Agfa.

Em agosto do ano passado, a Friends of Science East conseguiu levantar US$ 1,37 milhão em crowdfunding (financiamento pela multidão) pelo site Indiegogo.com. Mais de 33 mil pessoas, de 108 países, contribuíram para salvar o antigo laboratório de Wardenclyffe. O projeto teve apoio do desenhista Matthew Inman, do site TheOatmeal.com. O imóvel estava à venda, e outros interessados planejavam demolir o laboratório para que o terreno de 63,5 mil metros quadrados abrigasse novas construções. Depois de salvar o laboratório, a organização quer levantar cerca de US$ 10 milhões para criar o museu.

O laboratório Wardenclyffe foi palco do projeto mais audacioso de Tesla. Em 1901, o italiano Guglielmo Marconi fez a primeira transmissão de rádio através do Atlântico. Logo depois, Tesla conseguiu convencer o banqueiro J.P. Morgan a investir US$ 150 mil (bastante dinheiro na época) em duas torres para transmitir energia sem fio entre Nova York e Londres.

Instalada em Wardenclyffe, a torre americana tinha 57 metros de altura e uma estrutura de 37 metros enterrada no solo, com um domo de cobre de 21 metros de diâmetro no seu topo. O dinheiro acabou antes que fosse terminada e, em 1917, ela foi demolida.

Na semana passada, o anúncio da compra do antigo laboratório de Tesla foi feito no Hotel New Yorker, onde o inventor viveu sua última década. Enquanto as empresas de Thomas Edison deram origem à General Electric, Tesla morreu em 1943 com milhares de dólares em dívidas. Ele morou em hotéis por toda a vida adulta, e nunca se casou.

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