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'O governo poderia reestatizar a Petrobrás', sugere sindicalista

Representante dos funcionários no Conselho da Petrobrás pede a saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy

Entrevista com

Dayvid Bacelar, representante dos funcionários no conselho da Petrobrás

Antonio Pita , O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2015 | 02h04

RIO - Além de barrar a venda de ativos da Petrobrás, os trabalhadores da estatal pedem a saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e mudanças na política econômica, para ampliar crédito de bancos públicos à petroleira. O representante dos funcionários no Conselho de Administração da Petrobrás, o sindicalista Deyvid Bacelar, avalia que a presidente Dilma Rousseff tem "erros notórios" e não cumpre promessas de campanha. A seguir, trechos da entrevista.

Quais as reivindicações da categoria?

A gente quer discutir se vender ativos é estratégico para o País e para uma empresa integrada de energia. Voltar a ser apenas uma empresa de produção de petróleo é um erro grosseiro. Além disso, a operação exclusiva da Petrobrás no pré-sal, o conteúdo local mínimo e o Fundo Social Soberano são pilares importantes. Não aceitarmos retrocesso.

A venda de ativos é tida no mercado como a única alternativa diante da crise na estatal...

Pensar a indústria no curto prazo é um grande equívoco. No momento em que a indústria petrolífera tem em torno de US$ 1 trilhão em ativos à venda, isso é como vender banana no final da feira. Temos ciência da realidade, apresentamos alternativas viáveis, como abrir linhas de crédito do Banco do Brasil e da Caixa, e isso está sendo feito. O governo também poderia reestatizar a empresa com R$ 30 bilhões.

Isso vai contra a política econômica...

Tem um problema político e econômico conjuntural. Quando se reduz os investimentos da Petrobrás em US$ 87 bilhões, há menos recursos na economia, que deixa de gerar 2 milhões de empregos. É um prejuízo enorme para todos os brasileiros. O movimento pode unir outras categorias insatisfeitas com a política econômica.

A greve não enfraquece ainda mais a base do governo?

Governo é governo, sindicato é sindicato, partido é partido. O governo de coalizão tem uma composição trágica, e quem de fato manda é o PMDB. A crítica é da FUP, da CUT, do MST, do PT, do (ex-presidente) Lula, de vários economistas progressistas. Isso pode ajudar a companheira Dilma a lembrar o que prometeu na campanha: não mexer na Petrobrás e manter o pré-sal como passaporte para o futuro. Estamos assistindo essas promessas se esvaírem. Não podemos ficar calados com os erros notórios que ela tem cometido.

Que gesto vocês esperam do governo?

Primeiro, receber o movimento petroleiro. No segundo momento, a saída do ministro Levy, que não representa aquilo que Dilma apresentou na campanha. Se o ministro reconsiderasse sua política, ficaríamos satisfeitos.

Há semelhanças com a greve de 1995, no governo FHC?

O momento político é diferente. Tínhamos um governo completamente neoliberal. Desde 2003, vivemos um momento reverso. Infelizmente, nesse segundo mandato da Dilma, para manter a governabilidade, a presidente ficou fragilizada em seus posicionamentos ideológicos.

O sindicato vai manter a greve mesmo com risco de desabastecimento?

Não queremos chegar ao ponto de ver o mercado brasileiro desabastecido. Durante 40 dias tentamos esgotar todas as possibilidades de negociação para que a atividade não tivesse impacto para a população. Porém, a intransigência da empresa coloca tudo isso sobre risco. Temos expectativa muito grande que o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, abra um canal de negociação.

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