O governo possibilitou farta liquidez ao mercado

Numa fase de mercados financeiros tensos, o governo deu farta liquidez às operações, como se vê no relatório da dívida pública, do Tesouro Nacional. Em julho, os resgates de papéis atingiram R$ 47,3 bilhões, em termos líquidos, e a dívida caiu 1,44%, de R$ 1,985 trilhão para R$ 1,957 trilhão.

O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2013 | 02h11

Os aplicadores evitaram os títulos prefixados (LTNs), resgatando R$ 77,7 bilhões e adquirindo R$ 17 bilhões nesses papéis. O resgate líquido de prefixados foi de R$ 60,7 bilhões. Os investidores preferiram os papéis corrigidos pela taxa Selic ou atrelados ao IPCA e ao câmbio.

Por causa da incerteza quanto à inflação - e pelo fato de que o IPCA deixou de refletir bem as tendências, em razão do artificialismo nas áreas de energia, transporte público e derivados de petróleo -, chega a ser estranho haver subscrição de papéis prefixados. É provável que tenham sido transferidos para entes estatais, que não os colocariam prontamente no mercado.

A redução da dívida comprova a oferta de liquidez e as facilidades para a saída de investidores institucionais, preocupados com a volatilidade dos preços dos títulos públicos (sujeitos à marcação a mercado) e com as incertezas a respeito da rentabilidade. Melhor seria se a análise fosse feita em conjunto com a das operações compromissadas do Banco Central (BC).

A dívida federal está sujeita ao Plano Anual de Financiamento (PAF), anunciado a cada ano, cujo cumprimento será mais difícil. Por exemplo, a composição da dívida piorou: apenas 37,8% dos papéis são prefixados, enquanto o PAF prevê que, no final do ano, esses títulos devem compor de 41% a 45% da dívida.

Os investidores dão preferência aos papéis corrigidos pela Selic, que está em alta. Ou seja, se a inflação se estabilizar, haverá ganho real para os aplicadores nesses papéis.

O Tesouro depende mais dos aplicadores de longo prazo, como fundos de previdência e não residentes (estrangeiros, principalmente). Estes aumentaram sua participação na dívida de 14,52%, em junho, para 15,51%, em julho.

O custo médio do estoque da dívida federal praticamente não se alterou (11,23% ao ano, em junho, e 11,22%, em julho), mas o acumulado em 12 meses diminuiu de 10,93% ao ano para 10,83% ao ano. É uma situação transitória, pois a tendência é de alta nos custos da dívida.

Ao elevar a taxa básica, o BC poderia ser visto como o vilão da dívida pública. Na verdade, não é ele o vilão: a taxa só aumentou por causa dos desajustes de política econômica.

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