'O governo precisa reconhecer que errou'

O corte de despesas anunciado ontem pelos Ministérios do Planejamento e Fazenda no Orçamento de 2013, de R$ 10 bilhões, não será suficiente para resgatar a credibilidade da política fiscal do Brasil. É o que disse ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, o ex-presidente do Banco Central (BC) e atual sócio da Tendências Consultoria Integrada Gustavo Loyola.

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS , O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2013 | 02h04

De acordo com o economista, para recuperar a credibilidade arranhada no fim do ano passado com a adoção da "contabilidade fiscal criativa", o governo deveria ter feito um ajuste fiscal ao redor do valor aventado inicialmente, de R$ 25 bilhões. Com o valor anunciado agora, avalia Loyola, dificilmente a meta de superávit primário de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) será alcançada.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

Como o sr. viu o corte de R$ 10 bilhões no Orçamento de 2013 anunciado pelo governo?

É um número mais baixo do que se previa. Havia uma expectativa de que fosse de R$ 25 bilhões. Não é suficiente para atingir a meta de 2,3% do PIB.

Esse valor o surpreendeu?

Não chegou a ser uma surpresa porque, a cada mensagem que o governo emitia após ter sinalizado que o corte poderia ser de R$ 25 bilhões, a promessa ia se desidratando. O problema é que o corte conta com receitas extraordinárias das concessões e do leilão do campo de Libra, do Pré-sal.

O sr. afirma que o corte de R$ 10 bilhões não será suficiente para que a meta de primário de 2,3% do PIB seja alcançada. Qual é a sua previsão?

Eu prefiro não fazer uma previsão, mas posso dizer que um governo que está prestes a fazer leilões de concessões precisa tomar medidas firmes para não correr o risco de não haver interesse em relação aos leilões e de grandes empresas ficarem de fora dos leilões.

E, quanto à recuperação da credibilidade da política fiscal, o corte anunciado é positivo?

O governo tem de recuperar a credibilidade perdida no começo deste ano quando adotou uma contabilidade criativa para atingir a meta fiscal. Mais positivo que o corte em si será o governo reconhecer com firmeza diante do mercado que errou ao adotar uma política fiscal expansionista e uma política fiscal frouxa.

Onde o governo mais errou?

Eu acho que o governo acabou usando algo que era justificável, que era a política anticíclica, o que é desejável em momentos de crises, mas não demonstrou indicadores de que em épocas de vacas magras se gasta mais, mas em períodos de vacas gordas se economiza.

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