O guarda-chuva nacional resiste

Antiga sombrinha virou até artigo de moda pelas mãos dos empresários que sobreviveram aos

RENATO JAKITAS, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2012 | 03h38

produtos chineses

25

Fulminada pelos chineses após a abertura das importações na década de 90, a indústria brasileira de guarda-chuvas hoje é assunto mais para livros de história do que para bate-papo de economistas. No entanto, antes de sacramentar a extinção do setor no País, algo precisa ficar claro: ainda existem fabricantes nacionais. E eles conseguem lucrar com as sombrinhas.

A quantidade de empresários em atividade, segundo comerciantes e fornecedores, mal dá para encher uma das mãos. Eles são, em geral, micro ou pequenos empreendedores que sobrevivem com a produção por encomenda de guarda-chuvas e guarda-sóis customizados, demanda que chega principalmente de empresas de segurança privada ou de marcas interessadas em preparar materiais promocionais de final de ano.

"Minha produção é quase todinha para hotéis, estacionamentos e pedidos de grandes empresas. Tenho uns trezentos clientes aqui e trabalho quase sozinho para anteder a demanda", destaca José Carlos Gomes, dono da CRG, que também fabrica cadeiras de praia.

O empresário produz 120 mil peças nos meses que antecedem a temporada de chuvas no Sul e Sudeste. "A gente chega a empregar, temporariamente, até 350 pessoas", diz.

Além dos kits promocionais, há quem consiga remar na contramão. É o caso da carioca Pumar, com 73 anos de vida. Após praticamente fechar as portas em meados dos ano 90, a empresa reinventou-se e, agora, cresce sem concorrência.

A Pumar teve perto de mil funcionários nas décadas de 60 e 70. Após a invasão oriental, porém, restaram cinquenta profissionais e o negócio caminhava para o ostracismo. Rumava.

Um plano de sofisticação do produto, associando o guarda-chuva a um acessório de moda, foi colocado em prática. "Percebi que as marcas não tinham guarda-chuvas e guarda-sóis em suas coleções. Fui até empresas como Redley e Osklen e ofereci a Pumar para desenvolver e produzir linhas exclusivas com cara fashion", conta Lucia Pumar, dona da empresa.

O faturamento chegou a R$ 9 milhões no ano passado e a empresa lançou a Maria Pumar, fazendo sua primeira incursão no varejo com uma loja no Rio de Janeiro. Mais do que guarda-chuvas, a marca trabalha com capas de chuva, bolsas impermeáveis e capas para tablets. Neste mês, o negócio chegou a São Paulo com um quiosque no shopping Villa Lobos. "Investiremos R$ 3 milhões em nosso plano de expansão. Queremos ter cinco unidades no Rio e dez em São Paulo."

Cautela. Não há, porém, um movimento de retomada. É no que acredita André Nassif, professor de economia internacional da Fundação Getúlio Vargas (FGV). "A história da Pumar é interessante porque a empresa fugiu de um modelo de produção intensiva para a inovação, mas o futuro desse setor vai depender dos rumos da economia brasileira e da China."

R$ 3,50

30

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.