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Fábio Gallo
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O homem e a sua mochila de regalias

Essa análise leva à reflexão de como abriremos mais espaços para a diversidade

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2020 | 05h00

Um ambiente de volatilidade, no qual as decisões devem ser tomadas rapidamente, traz muito estresse. E o grau de risco assumido pode ser exacerbado. Diversos estudos acadêmicos trazem essa discussão à tona considerando, inclusive, a questão de gênero. Alguns, com experimentos que buscam medir os níveis de hormônios em função da idade e do sexo do profissional. 

Alguns estudos concluem que homens e mulheres respondem diferentemente ao estresse. Em ambientes de decisão, há maior propensão dos homens assumirem mais riscos, sendo uma das hipóteses levantadas para a predominância masculina entre os trades dos mercados financeiros. 

Muito desses argumentos constam da tese de doutorado de Augusto Caramico. Um dos pontos do estudo é que há a possibilidade de que os hormônios influenciem o comportamento do trader no momento em que ele tem de realizar uma decisão financeira. E, masculino como ainda é, essa particularidade conduziria o mercado a uma mesma direção de investimento, aumentando a confiança e a expectativa de preços, além da habilidade de controlar os riscos no curto prazo, contribuindo para desestabilizar as Bolsas pelo mundo. 

Olhando por outra ótica, o maior grau de aversão a risco das mulheres poderia reduzir a incidência de bolhas financeiras. Ou seja: a postura feminina em relação aos investimentos pode levar ao melhor equilíbrio entre risco e retorno das carteiras e a uma perspectiva de melhores resultados no longo prazo.

Interessante essa análise num momento de grandes mudanças sociais e que leva à reflexão de como abriremos mais espaços para a diversidade e teremos, daqui para a frente, ambientes mais igualitários no mercado de trabalho. No recentemente lançado livro Good Guys, How Men Can Be Better Allies for Women in the Workplace, a dupla de sociólogos americanos David Smith e Brad Johnson chama atenção de como podemos agir para deixar o trabalho mais diverso. Um dos argumentos que eles utilizam é o da “mochila invisível do privilégio”. O homem muitas vezes não se dá conta de que goza de uma série de regalias, como dificilmente ser interrompido ao falar, por exemplo. Provavelmente, a um homem nunca será perguntado: “Por que você está se concentrando em sua carreira em vez de sua família?” Está mais do que na hora de essa discussão ganhar espaço no mercado. 

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