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O IGP-10 dá maus sinais sobre a marcha da inflação

O IGP-10, primeira prévia do Índice Geral de Preços de junho, calculado pela Fundação Getúlio Vargas, subiu 0,63%, marcando a volta da inflação de alimentos. É uma notícia desanimadora para o governo, que contava com deflação para amoldar o índice oficial (IPCA), e para o consumidor, que pagará a conta na feira ou no supermercado.

O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2013 | 02h09

Na composição do IGP os preços no atacado - industriais e agropecuários - têm peso maior (60%). Os agropecuários haviam caído 2,8%, no IGP-10 de maio, contribuindo para a deflação de 0,09%. Agora, com aumento de 0,57%, os agropecuários são o principal fator da retomada inflacionária, secundados pelo Índice Nacional da Construção Civil (INCC), com alta de 2,48% contra 0,79%, em maio.

Soja em grão (+9,61%), farelo de soja (+14,12%), batata inglesa (+16,16%), leite in natura (+3,71%) e minério de ferro (+1,33%) lideraram as altas do Índice de Preços ao Produtor Amplo, segundo a FGV. Para o consumidor, os itens que mais subiram foram mamão papaia (+28,36%) e leite longa vida (+3,40%). Os aumentos tiveram mais impacto no índice do que as quedas dos preços no atacado de tomate, laranja e aves, e, para o consumidor, de laranja, pera, alface e cebola. No INCC, a pressão veio do reajuste de salários de ajudantes especializados, serventes, carpinteiros, pedreiros e bombeiros.

A inflação no atacado antecipa o que ocorrerá nas semanas ou meses seguintes com a inflação ao consumidor: os comerciantes repassam os preços aos compradores finais. Por isso, a inflação no atacado que vinha sendo comemorada enquanto dava sinais de queda, até maio, agora causa dor de cabeça.

Nos últimos 12 meses, o IGP-10 atingiu 6,17%. É ligeiramente inferior ao IGP-10 de maio por um fator sazonal: em junho de 2012, o índice subiu 0,73%, acima do indicador divulgado na sexta-feira.

O governo já gastou bastante munição para aplacar os preços, nos últimos meses. Reduziu tributos e mudou as regras de renovação das concessões elétricas, além de adiar os reajustes das passagens de ônibus, que já não haviam sido reajustadas pelo ex-prefeito Kassab, em São Paulo, no ano eleitoral de 2012.

O estoque de "bondades" (à custa dos contribuintes) tenderá a ser menor, pois o juro básico teve de ser ajustado, a cotação do dólar subiu e os preços dos derivados de petróleo continuam baixos. Conter a inflação é tarefa cada vez mais árdua.

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