O IIF e a vulnerabilidade da economia brasileira

Com reservas cambiais de cerca de US$ 370 bilhões, alta de juros suficiente para atrair investidores, manutenção da classificação de risco-país pela Standard&Poor's e ênfase do governo na obtenção de superávit primário após ter registrado déficit primário em 2014, o Brasil poderia ser visto com mais confiança no exterior. Mas não é o que mostra o Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), que definiu o País entre os emergentes com maior potencial de risco, ao lado de Argentina, Ucrânia e Turquia.

O Estado de S.Paulo

04 Abril 2015 | 02h02

O risco cresce à medida que se aproxima a decisão do Fed (o banco central do Estados Unidos) de elevar o juro básico, hoje em zero. Numa classificação baseada na vulnerabilidade doméstica, o Brasil ocupa o segundo lugar entre os de maior risco, apenas abaixo da Turquia - o que se deve ao crescimento das dívidas em moeda estrangeira tanto de empresas como de bancos. No terceiro trimestre de 2014, as empresas não financeiras de capital aberto deviam US$ 190 bilhões e esse endividamento se concentrava em 12 companhias, a começar de Petrobrás e Vale, mostrou levantamento do Cemec-Ibmec.

Pelo critério de política econômica (credibilidade e estabilidade política), o País está em terceiro lugar, abaixo da Ucrânia e da Argentina. Já pelo critério de vulnerabilidade externa, o Brasil está entre os de menor risco, ao lado do Chile, do México e da Tailândia. O que favorece a posição brasileira é o nível de reservas, que reduz o risco de uma ofensiva contra o real. Mas o patamar de reservas não basta. A reafirmação da política de câmbio flutuante e a desvalorização do real ante o dólar contribuem para afastar a vulnerabilidade externa, apesar do elevado déficit na conta corrente do balanço de pagamentos, de quase US$ 90 bilhões em fevereiro.

No plano estritamente econômico, prejudicam a avaliação do País a inflação "persistentemente" acima da meta e a deterioração dos indicadores fiscais. Mas também há obstáculos políticos, segundo o IIF: "Países onde crescentes tensões políticas internas ameaçam a gestão prudente da política macroeconômica, como Brasil e Turquia, sofreram grandes oscilações nos preços".

O Brasil depende de capitais externos para financiar o déficit na conta corrente. Parte vem sob a forma de capital e parte como recursos de investidores em instrumentos financeiros. O alerta do IIF, instituto financiado pelos bancos globais, não deve ser ignorado.

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