O imbróglio da presidência do bloco

O Mercosul não consegue se reunir porque está sem um presidente, a quem caberia marcar a reunião. Ou melhor: tem dois presidentes. A Venezuela, no entendimento dela própria e do Uruguai. E uma comissão temporária compartilhada, na visão de Brasil, Argentina e Paraguai. Um grupo não atende aos comandos do outro.

Lu Aiko Otta, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2016 | 06h00

Pelas normas do Mercosul, os países sócios devem se revezar semestralmente na presidência, seguindo a ordem alfabética. Na primeira metade deste ano, o comando ficou com o Uruguai. Em meados do ano, deveria ser da Venezuela, que já cumpriu essa missão uma vez.

Porém, a transmissão da presidência passou a enfrentar a oposição explícita do Paraguai, para quem a Venezuela não deveria fazer parte do bloco, por não ser um país democrático, como manda uma norma básica do Mercosul. O governo de Michel Temer também se opôs. O ministro das Relações Exteriores, José Serra, afirmou diversas vezes que a Venezuela não tem condições de presidir o bloco. Também se somou a essa posição o governo da Argentina.

Pressionado pelos sócios e, por outro lado, por compromissos políticos mais à esquerda, o governo do uruguaio Tabaré Vázquez buscou um meio termo. Ao fim de julho, deu seus trabalhos na presidência como encerrados. Mas não transmitiu formalmente a presidência para a Venezuela.

O governo venezuelano, por sua vez, se autoproclamou na presidência do Mercosul. Mas Brasil, Argentina e Paraguai não reconheceram essa situação. No mês passado, a Venezuela convocou uma reunião do bloco e nenhum dos três apareceu. Só compareceram Uruguai e Bolívia, que não é sócia.

Uma chance de “destravar” o Mercosul está nas mãos do Uruguai. Há cerca de um mês, o país ficou de analisar a proposta de deixar a presidência do bloco a cargo de uma comissão temporária compartilhada pelos quatro sócios mais antigos. Essa situação vigoraria até o fim deste ano. Depois, o comando passaria para a Argentina. 

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