O impacto do petróleo no superávit comercial

O saldo positivo de US$ 2,9 bilhões da balança comercial em setembro e de US$ 10,2 bilhões neste ano ajuda significativamente o balanço de pagamentos num momento em que escasseiam recursos externos e o Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês) prevê que o fluxo de capitais para os países emergentes poderá ser negativo em 2015. Mas o superávit comercial do País depende de um fator muito ruim (a falta de demanda em razão da recessão econômica) e de outro de pouca previsibilidade (a diminuição da importação de petróleo e derivados).

O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2015 | 02h55

Entre janeiro e setembro do ano passado, o saldo negativo (diferença entre importações e exportações) da conta petróleo foi de US$ 12,8 bilhões, valor que se reduziu, no mesmo período deste ano, para US$ 3,5 bilhões. A diferença de US$ 9,3 bilhões bastaria para explicar 90% do superávit comercial de 2015. A conta petróleo foi ajudada pela queda de preço do petróleo no mercado global, mas também dependeu da política de compras da Petrobrás, que não é transparente.

O efeito da desvalorização do real sobre as exportações ainda é limitado: as vendas foram de US$ 19,6 bilhões em setembro e de US$ 144,4 bilhões no ano – inferiores em US$ 29,1 bilhões às de igual período de 2014. Pelo critério de média diária, a queda é de 16,3% entre 2014 e 2015. No mês passado, a média diária de US$ 769 milhões foi inferior à do ano (US$ 772,7 milhões).

A depreciação do real ainda não compensa as restrições à exportação – perda de valor dos exportáveis, alto custo de produção, baixa produtividade, infraestrutura de péssima qualidade, pouco investimento em inovação, entre outros.

O Brasil perde posição no mercado global: a corrente de comércio (soma de exportações e importações) caiu 23,5% entre setembro de 2014 e o mês passado, 22,6% neste ano e 18,6% em 12 meses. De US$ 472,9 bilhões entre outubro de 2013 e setembro de 2014, a corrente de comércio caiu para US$ 384,9 bilhões nos últimos 12 meses. O País importa menos matérias-primas e intermediários, bens de consumo e de capital – o que significa menos investimento.

A perspectiva de mais recessão (e câmbio mais favorável) levou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, a prever um superávit comercial de US$ 15 bilhões neste ano. Consultorias privadas, como a Tendências, porém, estimam números menores, de até US$ 8 bilhões.

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