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O IPO que foi derrubado pela crise

A Aliansce fez tudo certo, mas foi obrigada a adiar a abertura de capital

Patrícia Cançado, O Estadao de S.Paulo

28 de setembro de 2007 | 00h00

Apenas dois meses e quatorze dias depois de virar sócio da Aliansce Shopping Centers, o empresário carioca Reinaldo Rique deixou o grupo presidido pelo seu irmão, Renato, e que tem como acionistas a empresa americana General Growth Properties (GGP) e a Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga. A sociedade relâmpago é um símbolo da volatilidade atual do mercado financeiro. Reinaldo deixou o negócio porque não estava mais disposto a correr o risco de vender suas ações na Bolsa de Valores por um preço abaixo do esperado.A Aliansce é a empresa certa na hora errada. No dia 24 de junho, dois dias antes da crise financeira estourar nas bolsas de valores, acionistas e banqueiros estavam começando a apresentar o grupo aos investidores, o chamado road show. ''''No primeiro dia, a demanda era 4,5 vezes maior que a oferta. Dois dias depois, caiu para 2 vezes. Depois disso, os bancos aconselharam a Aliansce a não seguir em frente'''', lembra Reinaldo. ''''A Aliansce adiou o processo na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), mas para mim deixou de ser um bom negócio. Eu entrei na Aliansce para fazer uma permuta e ganhar dinheiro. Não estava ali para ser o controlador.''''A expectativa do empresário era vender a ação entre R$ 17,50 e R$ 18,50. O piso era de R$ 15 e o teto, de R$ 20. ''''A Multiplan (última empresa do ramo a entrar na Bolsa) vendeu seus papéis no preço mínimo. Eu esperava os múltiplos dos meus pares: BR Malls e Iguatemi'''', diz Reinaldo. O Iguatemi foi à Bolsa em fevereiro deste ano, seguido pela BR Malls, que vendeu ações em abril.PERÍODO DE ENGORDAO movimento da Aliansce é típico das empresas que estão na fila do IPO (sigla em inglês para oferta inicial de ações). Às vésperas da venda, elas engordam o patrimônio para aumentar seu valor na Bolsa. Reinaldo entrou na sociedade exatamente com esse propósito. Ele contribuiu com participações relevantes em três shoppings centers - 22% no Shopping Taboão (em São Paulo), 20% no Grande Rio e 22% no Iguatemi Salvador, empreendimento responsável por quase metade das receitas. A Aliansce já tinha participação nos três, mas aumentou seu poder com a chegada do novo sócio. No Iguatemi Salvador, por exemplo, ela saltou para mais de 52%. No Taboão, foi para 60%.Reinaldo, que era dono de 15,71% das ações da Aliansce, sai do grupo com o que entrou. Ele ainda tem mais quatro shoppings em comum com seu irmão, mas que nunca entraram na sociedade. A Aliansce deve continuar monitorando o mercado, segundo fontes ligadas à empresa. Enquanto isso, aguarda novos prazos da CVM para a abertura do capital.A Aliansce está entre os maiores grupos de shopping centers do País. Tem participação em 14 empreendimentos, sendo seis em construção. Ela ainda administra outros sete. A empresa foi criada em 2004 por Renato Rique e a empresa americana GGP, que participa e administra mais de duas centenas de shoppings no mundo. A Gávea, de Armínio Fraga, entrou no negócio em abril deste ano.Assim como seus pares, a Aliansce queria entrar na Bolsa para financiar seu crescimento. Nos últimos meses, a BR Malls, empresa da GP Investimentos e do investidor americano Sam Zell, virou uma máquina de comprar shoppings Brasil afora. A empresa agora também aguarda na fila para fazer uma segunda oferta de ações.NÚMEROS R$ 2,5 bilhõesé o faturamento dos shoppings da Aliansce15,71%era a participação do empresário Reinaldo Rique na companhia21 shoppingsfazem parte do portfólio da Aliansce, sendo 14 própriosR$ 15 erao preço mínimo pedido pela ação da empresa antes da crise

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