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O Japão e as reformas corajosas

'Ao antecipar as eleições, objetivo foi consolidar o capital político do governo para gastá-lo nas reformas que prometemos há 2 anos'

SHINZO, ABE , PROJECT SYNDICATE , O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2015 | 02h02

Com o mandato poderoso da parte da população japonesa, demonstrado pelo voto de apoio por uma maioria esmagadora no escrutínio de 14 de dezembro, a capacidade do meu governo de agir decisivamente foi enormemente fortalecida, Com efeito, agora não temos somente poder para agir, mas tivemos uma mensagem clara e definitiva do eleitorado de que precisamos agir.

Em particular, temos um mandato para lançar o que ficou conhecido no mundo como a "terceira flecha" da chamada Abenomics: a reforma estrutural. E ela que vai desencadear a competitividade e o dinamismo há muito tempo reprimido das empresas e da população do Japão.

Ao convocar em novembro uma eleição geral antecipada, meu objetivo foi consolidar o capital político do governo - não para guardá-lo, mas para despender esse capital nas reformas que prometemos há dois anos. Agora, com nosso mandato renovado, é isto que faremos.

Em primeiro lugar, pretendemos submeter o regime tributário do Japão a uma revisão fundamental. Isto implica não só um aumento da alíquota do imposto sobre o consumo, uma segunda etapa que postergamos, mas também realizar os necessários ajustes de modo que o nosso sistema tributário não mais afete os incentivos para o investimento. Algumas organizações de agronegócios - o paradigma dos interesses particulares - precisam mudar, e nós as pressionaremos neste sentido.

Em segundo lugar, temos de adaptar as normas trabalhistas do Japão àquelas da vida moderna que predominam em quase todo o mundo, o que significa permitir que todo indivíduo tenha um equilíbrio benéfico entre vida e trabalho. Nós, japoneses, sempre trabalharemos intensamente - não tenho nenhuma dúvida disso. Mas necessitamos também capacitar e encorajar mais mulheres japonesas a ingressar na força laboral, seja no início das suas carreiras ou depois de ter e criar seus filhos.

Além disso, não são apenas reformas internas corajosas que precisam ser feitas. O Japão necessita também mudar o modo como sua economia interage com o mundo.

É o caso por exemplo da Parceria Trans-Pacífico (TPP na sigla em inglês) e o Acordo de Parceira Econômica entre Japão e União Europeia.

A conclusão dos dois acordos de comércio e investimento estão entre as tarefas mais urgentes, porque a economia do Japão precisa de catalisadores externos poderosos que incentivem mudanças no modo como competimos tanto internamente como por mercados de exportação. O Japão não tem outra alternativa senão fazer tudo o que for necessário e viável para aumentar a produtividade do trabalho. Agora temos o apoio da sociedade japonesa para fazer com que todas essas mudanças se tornem realidade. Esse apoio é baseado em declarações explícitas do governo.

Por exemplo, está bem entendido e aprovado pelos eleitores que, em abril de 2017, meu governo elevará o imposto sobre o consumo. Até então, não mais vamos nos consumir debatendo os méritos dessa decisão.

Mas sabemos também que o espaço político que garantimos é também muito precioso para ser desperdiçado. Temos de usá-lo resolutamente para implementar as reformas que fortalecerão o potencial de crescimento a longo prazo do Japão.

A posição global do nosso país depende disso. Nos últimos dois anos viajei 570 mil quilômetros, visitei um total de 62 países e mantive 246 encontros com chefes de Estado e outros líderes nacionais. Essas experiências me convenceram de que existe uma enorme confiança do mundo com relação ao caminho que o Japão pós-guerra tem seguido. Em particular, não há nenhuma dúvida quanto às normas e princípios que nossa população e nosso governo sempre defenderam, como a soberania popular, o respeito pelos direitos humanos e a paz - pilares da Constituição japonesa.

O Japão conquistou credibilidade internacional porque durante sete décadas sua diplomacia jamais tentou coagir ou intimidar qualquer outro país com ameaças de força militar. E, mais importante, a confiança global no Japão reflete a modéstia e a dignidade demonstrada pelos japoneses quando trabalharam para tornar nossa economia uma das três maiores do mundo.

A fé que o mundo tem no Japão e no seu povo tem sido o ativo mais valioso da diplomacia japonesa. O mandato recebido da população japonesa é para garantir que essa tradição continue, intacta, no futuro.

Esse é um juramento que farei quando assumir a liderança do Japão para o próximo mandado eleitoral. Para mim e meu governo a principal tarefa à frente - trabalhar ainda mais vigorosamente para restaurar a economia do Japão - é inseparável da salvaguarda da posição do nosso país na vanguarda global da paz, do progresso e da prosperidade. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

SHINZO ABE É PRIMEIRO-MINISTRO

DO JAPÃO

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