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O lado positivo da crise

O Brasil está passando por um momento ímpar, sediando o maior evento de futebol do mundo. No entanto, o grito preso na garganta dos brasileiros não é bem de comemoração. Com a inflação em alta, o PIB em baixa e os empresários reticentes, é visível o movimento das empresas reduzindo investimentos e cortando custos.

Rosemary Corretori, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2014 | 02h07

Mais uma vez cabe ao trabalhador adaptar-se às incertezas do mercado e buscar alternativas para sobreviver em meio à folia do grande país do futebol. O que fazer então? Esperar a banda passar?

Momentos de crise sempre existiram e sempre existirão. Na verdade, é nesses períodos que ocorre uma espécie de limpeza no mercado, onde permanecem somente as empresas e os profissionais que conseguem se adaptar e inovar para sobreviver.

Em tempo de mudanças, as empresas estão mantendo seus talentos e trocando os perfis que não estão adequados ou bem adaptados. É preciso ficar atento ao que o mercado busca e entender que alterações sempre são necessárias e podem ser grandes oportunidades de crescimento.

Há cada vez mais pressão por parte dos gestores, com atividades e metas apertadas - sendo assim, o profissional precisa saber lidar com adversidades, ser ágil e focado nas soluções, além de ser proativo e mostrar-se pronto para colaborar sempre. A partir deste comportamento devem despontar novas competências até então não utilizadas, que propiciam desenvolvimento para o profissional e a organização.

A redução de cargos nas empresas proporciona para os que ficam a oportunidade de acumular novas funções e, nesse sentido, é necessário ter inteligência emocional, flexibilidade, visão estratégica e resiliência para aprender, se adaptar, se desenvolver e obter os resultados esperados.

Ocorre uma transformação inevitável no mercado, que gera mudança de parâmetros e quebra de paradigmas, trazendo à tona inovação e superação. É hora de sair da zona de conforto e mostrar o que de fato cada um pode fazer usando seu potencial máximo.

Resiliência é a palavra do momento. Afinal, resiliente é aquele que suporta a pressão, recupera-se rapidamente e consegue se antecipar aos eventos. Uma das mais importantes práticas da resiliência é a capacidade de fazer vir à tona habilidades.

No livro Resiliência: competência para enfrentar situações extraordinárias na vida profissional, o autor Paulo Yazigi Sabbag identifica nove fatores como aspectos inerentes à resiliência: autoconhecimento e autoeficácia, temperança, empatia, proatividade, solução de problemas, tenacidade, competência social, otimismo aprendido e flexibilidade mental.

O método para desenvolver resiliência começa por cultivar uma disciplina diária e uma curiosidade saudável para atingir o objetivo desejado. A busca constante permite abrir os horizontes e avaliar todas as possibilidades, integrando-as aos recursos internos.

O momento é propício também para repensar a carreira: o que faria diferente, o que repetiria se fosse possível e o que ainda pode e deve ser feito para se tornar um profissional mais pleno. Não são apenas as empresas que precisam avaliar seus funcionários neste momento - eles também podem e devem analisar se estão satisfeitos com o trabalho que realizam. É importante refletir se este não seria o cenário ideal para traçar uma nova estratégia e ser mais feliz.

O importante é observar a consonância dos talentos com a empresa, com o mercado e com o momento atual. Momentos de crise podem ser essenciais para a busca da felicidade. Se a crise proporciona mudança, que seja para melhor.

É tempo de definir o foco e abraçar a causa para alcançar o objetivo com a intenção de obter novos conhecimentos e experiências, resultando em crescimento.

A melhor maneira de prever o futuro é construí-lo, mas para isso é preciso senso de realidade e pensamento estratégico, capazes de gerar movimento. No lugar de enxergar o momento atual como crítico, é possível repensar e arquitetar o nosso projeto de vida. Nossas carreiras agradecem quando agimos assim.

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