O leilão de transmissão frustrou as expectativas

Deságios inferiores aos de leilões passados e desinteresse por cinco dos nove lotes licitados marcaram o quarto leilão de transmissão de eletricidade de 2014, realizado terça-feira pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Foi um sinal de tempos de retração de investimentos e de desconfiança na política energética. Afinal, a transmissão sempre foi atraente por causa do baixo risco para o investidor. O vencedor investe recursos na construção, montagem, operação e manutenção das linhas para explorá-las por 30 anos e faz jus à Receita Anual Permitida (RAP), corrigida pelo IPCA.

O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2014 | 02h02

Linhas de transmissão permitem transferir a energia produzida ou que sobra em algumas regiões para as regiões que dela necessitam. São, portanto, essenciais para a operação segura do sistema.

Mas não houve disputa entre os investidores e predominou a holding federal da energia, Eletrobrás. Por intermédio da subsidiária Eletrosul, ela venceu o maior lote licitado - de 2.169 km - para construir quatro linhas de transmissão de energia eólica no Rio Grande do Sul.

Embora tenha declarado prejuízo de R$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre, a Eletrobrás assumiu novos investimentos de R$ 3,2 bilhões, somada a participação de 24,5% de sua controlada Eletrosul no lote de 265 km em Mato Grosso do Sul.

O valor das receitas permitidas oferecido pela Aneel foi visto como insatisfatório pela maioria dos investidores privados e até por uma estatal estadual, a Copel, do Paraná. A Copel foi vencedora (ao lado da Copesul e da espanhola Elector) do lote em Mato Grosso do Sul, mas depois anunciou a desistência.

Outra espanhola, a Isolux, ficou com uma linha de 105 km entre o Amapá e o Pará, mas o deságio oferecido foi de apenas 0,6%. E a estatal Celg explorará uma linha de apenas 11 km entre Goiás e Minas Gerais, com deságio de 0,32%.

Há um ano, uma associação de investidores em transmissão (Abrate) reclamou do atraso no pagamento de indenizações por causa da mudança do modelo elétrico.

O desinteresse pelo leilão de transmissão é sinal de alerta ao governo federal, depois dos tropeços do modelo elétrico que gerou prejuízos estimados em mais de R$ 100 bilhões. O aumento do risco de colapso na oferta de energia já foi reconhecido pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico. Como não se trata de situação inédita, cabe atenuar os riscos, inclusive atraindo mais investidores para a transmissão.

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