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O líder narcisista

No interessante artigo Coaching the Toxic Leader, Manfred Kets de Vries, fundador do Centro de Liderança da escola de negócios Insead, revela já ter identificado em altos executivos características de personalidade nocivas e desestabilizadoras tanto para a equipe quanto para a organização. Discorre sobre alguns desses perfis comportamentais, mas um em especial será hoje objeto desta coluna: o narcisista.

O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2014 | 02h10

A rigor, todos nós em maior ou menor grau, manifestamos características narcisistas, o que muitas vezes é necessário para manter nosso equilíbrio emocional. Há momentos em que o amor próprio predomina, sentimo-nos orgulhosos de nossas realizações e somos levados a externar uma saudável autoestima.

Vaidade. O problema surge quando o narcisismo se manifesta de uma forma exacerbada. Ou seja, quando o indivíduo sucumbe sob o peso da vaidade. Em torno desta postura invariavelmente gravitam o autoritarismo, a dificuldade do diálogo, a falta de empatia e, consequentemente, uma coleção de animosidades.

No contexto empresarial, sobretudo em cargos de gestão, uma dose moderada de narcisismo - evidentemente alicerçada em reais competências - fortalece ainda mais habilidades como a iniciativa, a criatividade, versatilidade, gosto por desafios, componentes fundamentais para o exercício de uma liderança efetiva.

Em face desta autovalorização, o líder com esta característica coloca em mais empenho no alcance de resultados, não teme seus pares, inspira e valoriza a participação da equipe, e, por entender que um bom convívio social é fundamental para sua liderança, não transforma o ambiente de trabalho em batalha competitiva. É o que se denomina de líder narcisista produtivo.

Por outro lado, quando esta autovalorização é vivenciada de forma excessiva, devemos entendê-la como uma liderança tóxica que afetará negativamente a moral e a efetividade de sua equipe.

Sem empatia. Um líder que adota tal postura, a manifesta de formas variadas: dificuldade em aceitar as falhas alheias, autoritarismo nas suas decisões, necessidade compulsiva de se destacar, pretensa autossuficiência, clichês baseados em convicções pessoais, ausência de empatia, entre outras de igual efeito destrutivo.

Sem sombra de dúvida, medidas impositivas e a falta de diálogo são insufladoras de conflitos entre lideres e liderados e mesmo que não exteriorizados, se configuram nas entrelinhas deste relacionamento. Manfred Kets de Vries ressalta com muita propriedade em seu artigo: "Se quisermos reconhecer um líder narcisista destrutivo, basta olharmos para seus subordinados". A rigor, é a lei de causa e efeito revelando seus códigos.

Na verdade, nenhum líder está imune ao narcisismo, até porque é extremamente salutar e produtivo ter consciência e valorizar suas próprias competências. No entanto, se por acaso suas ações são movidas unicamente por uma vitaminada vaidade, cuidado! Você é um líder com tendências narcisistas destrutivas e o convívio difícil não será apenas com seus liderados, com a alta gestão da empresa você também não transitará com facilidade. Um salto sem rede para sua carreira!

O antídoto para então não cair na malha dos efeitos tóxicos do narcisismo exagerado será o exercício contínuo do autoconhecimento, a busca do equilíbrio e, é claro, o olhar generoso para o outro.

Fugir desse "império do ego" é retirar tanto a lente de aumento que procura superdimensionar habilidades, como a máscara que esconde limites. Enfim, procurar saber exatamente qual é o seu "tamanho", nem mais nem menos, apenas o "seu tamanho".

GERENTE DE CARREIRAS DO IBMEC-RJ

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