Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2018 | 17h15

Eles ainda têm participação nanica de 0,2% no mercado, com apenas 2.754 unidades vendidas de janeiro a setembro de um total de 1,78 milhão de automóveis. Modelos híbridos e elétricos, contudo, começam a aparecer nas ruas brasileiras e serão as estrelas da 30.ª edição do Salão do Automóvel de São Paulo, no próximo mês.

Mais de 20 automóveis de variadas marcas estão confirmados para a mostra, que ocorrerá entre os dias 8 e 18 de novembro no São Paulo Expo Exhibition. Alguns poderão ser dirigidos pelos visitantes em área reservada para testes, entre os quais o BMW i3 e o i8 e Renault Twizy e o Zoe. No primeiro dia do evento haverá uma carreata pela cidade com cerca de 30 carros movidos a eletricidade, promovida pela Abravei, associação de donos de veículos inovadores.

Outra novidade do salão será um espaço para palestras sobre mobilidade, com temas voltados aos veículos eletrificados, conectados e autônomo. “Vai ser o salão mais elétrico de todos”, afirma o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale.

Um empurrão ao mercado de híbridos (com um motor elétrico e um a combustão) e elétricos (100% a energia) será dado a partir do próximo mês, com a entrada em vigor da nova tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados. O IPI para híbridos vai variar de 7% a 20% e, para elétricos, de 7% a 18%, dependendo da eficiência energética e do peso do carro. Hoje é de 25%.

A medida vai aumentar a oferta de modelos menos poluentes ou totalmente limpos no País, “mas ainda não é suficiente para promover uma massificação”, ressalta Megale. A indústria defendia IPI de 7% para todos os veículos “verdes”, mesma alíquota dos carros 1.0. 

Ainda assim, quase todas as montadoras devem mostrar no salão modelos importados que já estão à venda ou que serão lançados até o próximo ano. A General Motors apresentará o Bolt, compacto 100% elétrico com autonomia de 400 quilômetros, e a Nissan o novo Leaf, ambos para início de vendas em 2019.

Dos 2.754 veículos “verdes” vendidos neste ano, apenas 158 são elétricos e os demais são híbridos. Em igual período de 2017 foram vendidos 2.352 veículos, sendo 111 elétricos e os outros híbridos.

Segundo Marcelo Cioffi, sócio da PwC do Brasil, no mundo todo a venda de modelos puramente elétricos ainda é pequena pois, além do custo elevado, é preciso infraestrutura para abastecimento. Já as vendas de híbridos crescem mais rapidamente e o mesmo deve ocorrer no Brasil, mas no longo prazo. “O Brasil ainda é um país onde a maior parte dos carros vendidos é de modelos de menor custo e os elétricos têm alto custo.”

A BMW levará ao salão três híbridos plug in, o i3 e o i8 – com preços entre R$ 200 e R$ 800 mil –, e uma novidade ainda não revelada. “A estratégia global da empresa é pela eletrificação e até 2025 teremos 25 modelos e certamente alguns virão para o Brasil”, afirma Gleide Souza, diretora da empresa.

A Toyota trará o inédito Prius Híbrido Flex, que usa etanol no lugar da gasolina para gerar eletricidade. O carro foi testado em percurso de São Paulo a Brasília e agora passa por adaptações. “Estamos avaliando a venda, mas primeiro será importado pois o mercado não tem volume que justifique a produção”, diz Ricardo Bastos, diretor da companhia. O modelo na versão a gasolina custa R$ 125 mil. A Lexus, marca de luxo do grupo, vai mostrar o NX 300, que custa R$ 220 mil. A Audi terá quatro híbridos no estande (A6, A7, A8 e Q8), a Ford duas versões do Fusion (uma delas plug-in), a Kia três (Soul EV, Optima e Niro) e a Volkswagen o Golf GTE.

Marcas que não participam do salão também têm projetos para ampliar vendas. A Volvo oferece os híbridos plug-in XC90, XC60 e S90T8. A BYD vende os elétricos E5 e E6 e em 2019 trará o Song. A Tesla tem as versões S e X, que custam R$ 1 milhão.

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Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2018 | 17h15

Há um ano e meio, quando decidiu trabalhar como taxista, Vinícius do Espírito Santo, de 24 anos, decidiu comprar um carro elétrico E6, da marca chinesa BYD, atraído pelo conforto do sedã, pelo silêncio ao dirigir e por “poder fazer a minha parte para reduzir a poluição”. Ele tem seu ponto em frente a um hotel na região da Avenida Paulista e afirma ter clientes cativos que o procuram só porque gostam desse diferencial.

Segundo ele, seus colegas de trabalho gastam em média R$ 2,8 mil a R$ 3 mil por mês com combustível. “Eu gasto muito pouco, pois costumo carregar a bateria gratuitamente no estacionamento de um supermercado”. Com a economia, diz, consegue pagar as prestações do carro, adquirido em 60 parcelas.

O Brasil tem cerca de 150 postos de recarga rápida em estacionamentos de shoppings e supermercados – a maioria em São Paulo –, que oferecem a energia gratuitamente. A partir do próximo ano, porém, entrará em vigor norma que regula a cobrança da eletricidade e cada estabelecimento poderá taxar o serviço, caso deseje.

A maioria dos postos foi instalada pela BMW e a BYD, em parceria com companhias de energia elétrica e centros comerciais. A Volvo tem planos de instalar mais 250 até 2019.

Recargas rápidas, que carregam até 80% da bateria, podem ser feitas em cerca de meia hora. O carro de Vinícius precisa de 2 horas para carregamento total. “Às vezes deixo carregando e vou almoçar, ou então fico dormindo dentro dele”.

Guincho. Como usa o carro principalmente na região de São Paulo, o taxista diz que não costuma ter problemas. “Só uma vez a energia acabou e tive de chamar o guincho.”

Edgard Escobar, presidente da Abravei, tem um BMW i3 há dois anos e afirma que já viajou até para a Argentina e não teve problemas. Seu carro é híbrido plug-in e tem um pequeno tanque de gasolina que pode gerar a energia necessária para a bateria.

Entre as vantagens do carro, Escobar cita a economia. “Antes eu gastava R$ 800 por mês com gasolina e agora gasto no máximo R$ 50 com energia”. Segundo fabricantes, o gasto para rodar com um carro elétrico é um terço menor do que um a gasolina ou a etanol. A manutenção também é mais barata pois não há troca de itens como filtros e óleo. Também tem a questão ambiental. “Em dois anos deixei de emitir toneladas de CO2.”

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Hairton Ponciano, O Estado de S.Paulo

06 Outubro 2018 | 17h15

ENVIADO ESPECIAL PARIS - O presidente do Grupo Renault, o brasileiro Carlos Ghosn, mostrou na semana passada em Paris, pela primeira vez, o protótipo K-ZE, versão elétrica do compacto Kwid, à venda no Brasil na versão flex. O modelo será produzido na China a partir do próximo ano. “O futuro é elétrico”, resumiu Ghosn. Embora não tenha dado pistas sobre expectativa de preços, o executivo informou que será um elétrico “acessível”.

De acordo com Ghosn, o ganho de escala de produção na China vai possibilitar a redução de preço. Após o abastecimento do mercado chinês, o compacto deve chegar a outros mercados emergentes e o Brasil é um forte candidato, assim como a Índia.

O K-ZE foi apresentado um dia antes da abertura à imprensa do Salão de Paris, onde carros 100% elétricos e híbridos (que conjugam motores a combustão e elétricos) estão representados nos principais estandes da exposição, que vai até o próximo domingo. A maioria deles está distante dos planos das empresas para o Brasil.

Entre as promessas mais reais há o novo Toyota Corolla. A marca japonesa não confirma, mas a próxima geração do sedã deverá ser lançada no Brasil no ano que vem, em versão híbrida. Maior destaque do estande da montadora, a nova Corolla Touring Sports é a versão perua do modelo, que não está prevista para o Brasil.

O Audi e-tron é um crossover com autonomia de 400 km e previsão de lançamento no Brasil no segundo semestre de 2019. Os outros elétricos lançados em Paris não têm previsão de chegar ao País no curto prazo. É o caso da BMW, que mostrou o novo i3 e o i3s, com acabamento mais esportivo, com baterias de maior capacidade. A marca informa que a autonomia em condições normais de uso subiu 30%, para cerca de 260 km. A Mercedes-Benz apresentou o EQC, primeiro modelo de sua submarca de elétricos, a EQ. A autonomia é de 320 km.

De acordo com o site francês Automobile Propre, no ano passado foram vendidos no país 24.904 veículos 100% elétricos, salto de 14,2% ante 2016 (21.793 unidades). Este ano o volume acumulado até agosto é de 17.698 automóveis, alta de 7,1% ante o mesmo período do ano passado. Embora a alta seja consistente, os elétricos representam pouco mais de 1% do mercado francês total.

Na Europa toda, segundo agências internacionais, foram vendidos no ano passado 430 mil veículos elétricos, o equivalente a 2% do mercado total. 

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