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O medo de inflação nos Estados Unidos
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Colunista
Celso Ming
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O medo de inflação nos Estados Unidos

O mercado rapidamente reagiu ao avanço mensal da inflação de 0,8% e anual de 4,2% em abril, o maior para doze meses desde 2008

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2021 | 20h39

Há dias grande número de analistas não vinha escondendo sua preocupação com a possibilidade de uma disparada da inflação nos Estados Unidos. Pois nesta quarta-feira saíram as informações sobre o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) e a surpresa foi geral: em abril, a inflação dos Estados Unidos subiu 0,8%,  de 4,2% em 12 meses, mais do que o dobro dos 2,0% ao ano perseguidos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Foi o salto de vara mais alto em um único mês para um período de 12 meses nos últimos 12 anos. As projeções eram de inflação em abril em torno de 0,3%. É fato novo que terá impacto não só nos Estados Unidos, mas no mundo.

A reação do mercado financeiro foi imediata: os juros praticados na revenda dos títulos saltaram; as bolsas de Nova York, que já vinham operando em baixa há alguns dias pelo medo da inflação, caíram ainda mais; e o dólar se valorizou diante das outras moedas.

As autoridades do Fed já tentavam desarmar os espíritos com a explicação de que a possível esticada seria devida aos gargalos nas cadeias globais de produção em consequência da pandemia – que paralisou a atividade econômica em muitos países. Com base nesse diagnóstico, a inflação seria temporária. Por não ser produzida por demanda excessiva, o Fed não teria de combatê-la com redução do volume de moeda (alta dos juros).

O mundo dos negócios pareceu insatisfeito com essa explicação e passou a temer pelo fim do ciclo de baixa dos juros. Mesmo que esse aperto monetário aconteça só dentro de alguns meses, todo o mercado, que se baseia em contratos de longo prazo, sentiu a necessidade de fazer ajustes imediatos.

Levaram em conta outras análises: as de que a inflação tem origem menos no aumento dos custos dos suprimentos de materiais, peças e insumos e mais na demanda produzida pela abundância de recursos. Por isso, embora os dirigentes do Fed venham tentando afastar a hipótese do aperto monetário, se persistir essa inflação, acabariam por optar por juros crescentes até o nível que controlasse a alta. Assim, o primeiro impacto seria na atividade econômica.

O crescimento do PIB, que se previa promissor, acabaria por ser mais baixo, embora não seja possível agora uma quantificação dessa quebra. O segundo seria nas aplicações do mercado financeiro. Juros mais altos voltariam a puxar a procura por títulos de renda fixa, especialmente os do Tesouro dos Estados Unidos (treasures). E, na medida em que houvesse redução do volume de recursos no mercado, seria inevitável alguma valorização do dólar.

Como tudo o que diz respeito a dinheiro mexe com os bolsos e atiça medos de perda, os mercados levarão alguns dias para avaliar o novo ponto de equilíbrio. Se a perspectiva de alta dos juros persistir, espera-se alguma migração das aplicações financeiras da renda variável para a renda fixa.

CONFIRA

» Safras e falta de chuva

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou nesta quarta-feira a nova projeção da produção de grãos nesta temporada: 271,7 milhões de toneladas, 5,7% mais alta do que a produção do período 2019/20.

Essa projeção leva em conta uma perda em relação às projeções anteriores em consequência da falta de chuvas que retardou a colheita de soja e a semeadura da segunda safra, especialmente a chamada safrinha de milho. Mas a estiagem pode prejudicar também esta segunda safra.

CELSO MING É COMENTARISTA DE ECONOMIA

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