O melhor ficou para trás

O crescimento de 1,5% do PIB no segundo trimestre deste ano surpreendeu, ficando bem acima do esperado pelos analistas de mercado (0,9%) e pelo Boletim Macro Ibre (0,6%). O PIB não crescia a essa taxa desde o primeiro trimestre de 2010. Coincidentemente, a indústria também não crescia a taxas de 2% desde aquela época.

ANÁLISE: Silvia Matos, ECONOMISTA DA ECONOMIA APLICADA DA FGV/IBRE, ANÁLISE: Silvia Matos, ECONOMISTA DA ECONOMIA APLICADA DA FGV/IBRE, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2013 | 02h04

De certa forma, o resultado da indústria não chega a surpreender, já que estava em linha com o que vinha apontando a pesquisa mensal da produção industrial. Já o setor de serviços inverteu a tendência de queda, algo que não estava em nosso radar.

Analisando os resultados pela ótica da demanda, os grandes destaques foram as exportações e os investimentos. Com relação a esses últimos, o primeiro semestre foi excelente: houve crescimento de 6% ante o mesmo período do ano passado.

Com essas informações, o carregamento estatístico estimado para a alta do PIB deste ano é de 2,6%. Isso quer dizer que, se o PIB não crescer neste e no próximo trimestres, a taxa de 2,6% está garantida para 2013. Mas por que ainda há tanto pessimismo sobre os rumos da economia?

Em primeiro lugar, fatores transitórios podem explicar o passado. Além da agropecuária, alguns setores da indústria de transformação cresceram fortemente devido às políticas de incentivos do governo. Adicionalmente, é esperada para julho nova contração da produção industrial de 1,7%. E os dados preliminares de agosto apontam nova contração. Então, não será nenhuma surpresa se a indústria contribuir negativamente no terceiro trimestre.

Em segundo lugar, após um primeiro semestre muito bom para os investimentos, há fatores que apontam para nova desaceleração no segundo semestre: taxa real de juros mais elevada, taxa de câmbio mais depreciada, confiança empresarial em baixa e maior incerteza sobre os rumos da economia doméstica.

Em suma, os resultados esperados para o segundo semestre não são favoráveis. O retrato do passado não é tão ruim assim, mas o futuro continua nebuloso.

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