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O mercado de crédito sem sinais de melhora

A redução no juro básico de 0,25 ponto porcentual na última reunião do Copom, há alguns dias, terá efeitos benéficos, mas é provável que estes demorem a aparecer

O Estado de S. Paulo

30 de outubro de 2016 | 03h13

O saldo dos empréstimos bancários caiu 0,2% entre agosto e setembro, para R$ 3,1 trilhões, e 1,7% nos últimos 12 meses, comparados aos 12 meses anteriores, enquanto as concessões recuaram 2,1% no mês, para R$ 275,1 bilhões, e 8,1% em 12 meses. Nas mesmas bases de comparação, os juros cresceram 0,1 e 3,7 pontos porcentuais e os spreads (diferença entre juros ativos e passivos) subiram 0,2 ponto e 4,9 pontos porcentuais. São sinais recentes – e ruins – do comportamento do crédito. Os dados são do Banco Central (BC) e podem ser vistos como um balde de água fria na esperança de melhores condições para os tomadores.

A redução no juro básico de 0,25 ponto porcentual na última reunião do Copom, há alguns dias, terá efeitos benéficos, mas é provável que estes demorem a aparecer. Quando muito, a queda ajudará a interromper a trajetória de alta de juros ativos. Por ora, inflação menor e taxas ativas estáveis indicam juro real mais alto. 

A pior situação é das empresas que precisam de crédito. Em contraste com levantamentos privados, o BC notou alta da inadimplência das companhias, para 5,5% nos empréstimos livres, calcula João Morais, da consultoria Tendências. “A crise nas empresas é mais grave do que nas famílias”, disse ele.

Em todos os meses do ano o volume de concessões de crédito às empresas foi inferior ao das pessoas físicas. Se isso persistir, o saldo do crédito às famílias poderá superar o das empresas. O que parece anormalidade, pois das empresas vêm emprego e renda. Em dezembro de 2015, o saldo emprestado às empresas era de R$ 1,707 trilhão e às famílias, de R$ 1,512 trilhão, montantes que em setembro foram de R$ 1,569 trilhão e R$ 1,540 trilhão. 

As concessões de crédito às empresas com recursos direcionados – como crédito rural e imobiliário e 

empréstimos do BNDES – foram as que mais caíram: 24% em 12 meses. Recuou, em especial, o crédito do BNDES, 32,1% na mesma base de comparação. Os empréstimos de bancos estatais, que vinham elevando o custo das operações, caíram mais que os de bancos privados.

Até o juro começar a ceder e o crédito a aumentar, a economia conviverá com baixa atividade. Algum alívio monetário pode ocorrer no fim do ano, mas talvez só decisões ousadas – como liberação de parte dos depósitos compulsórios – induziriam bancos a emprestar mais. 

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