''O mercado de trabalho está aquecido e dificulta a missão do BC de conter a inflação''

Thaís Zara, ECONOMISTA-CHEFE DA ROSENBERG CONSULTORES

Nalu Fernandes, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2011 | 00h00

O mercado de trabalho continua aquecido e ameaça o combate à inflação. Com base em um cálculo que desconta os efeitos típicos do início do ano, a economista-chefe da Rosenberg Consultores, Thaís Zara, constata que a taxa de desemprego está no menor nível desde 2002 e a criação de empregos continua elevada. A seguir, trechos da entrevista de Thaís para o serviço AE Broadcast Ao Vivo, da Agência Estado.

O desemprego ficou em 6,5% em março. Qual sua projeção para a taxa sem efeitos sazonais?

Está em 5,9% em março, no menor nível desde 2002. Se considerarmos o carnaval, fica em 6,1%, o mesmo de fevereiro, também em mínima histórica. A taxa revela que o mercado de trabalho continua bastante aquecido, tornando mais difícil o trabalho do Copom. O rendimento real continua crescendo, mesmo com a inflação alta que tivemos no primeiro trimestre.

Qual sua avaliação sobre os resultados do Caged?

Em um primeiro momento esses números assustam, pois são mais baixos se compararmos com meses de março de anos anteriores. Mas, com a dessazonalização, levando em conta o carnaval, o número não foi tão ruim. Em fevereiro, ficou em torno de 185 mil vagas e em 172 mil em março. O Caged confirma que o mercado de trabalho vai muito bem e continua sustentando a demanda agregada.

O mercado de trabalho indica dificuldade para conter a inflação?

Sim. Há alguns riscos principalmente quando se leva em conta que parte importante da inflação deste ano deve-se a pressões de demanda, com consumo familiar muito grande, em grande parte, proporcionado pelo mercado de trabalho e pelo rendimento crescente. O mercado de trabalho torna a tarefa do BC, de trazer a inflação para o centro da meta em 2012, um pouco mais complexa.

O vigor do mercado de trabalho vai limitar os efeitos das medidas do BC para conter o crédito?

O vigor do mercado de trabalho tem ajudado, em certa medida, a expansão do crédito. Dados do BC confirmam que tivemos expansão muito forte do crédito, baseada na expansão da base de tomadores, não no endividamento médio, com parte importante disso ligada ao mercado de trabalho. De certa forma, o mercado de trabalho ameniza um pouco o efeito das medidas.

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