O mercado é que define o preço do dólar, diz BC

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, evitou fazer comentários sobre o nível recorde atual da taxa de câmbio. "Não cabe ao BC comentar. O câmbio é flutuante", disse ele, insistindo em que a atual política é a mais apropriada para o momento para "apoiar o mercado de câmbio".O diretor também disse que não cabe ao Banco Central definir o nível de preço da taxa de câmbio. "Esse volume é apropriado. O que vai acontecer? O câmbio é flutuante, o mercado define o nível de preço", afirmou.Figueiredo acrescentou que, diante das condições internas e externas, a taxa de câmbio se ajusta às necessidades de financiamento. Ao final de agosto, o BC fará uma nova avaliação de sua estratégia para definir a política a ser adotada no mês de setembro.O diretor, ao ser questionado sobre a insegurança da população com relação à economia, disse que o governo está tomando as atitudes que acha corretas. LiquidezFigueiredo negou que o sistema bancário brasileiro tenha uma liquidez potencial de R$ 51,968 bilhões, como foi divulgado pela imprensa. O volume de liquidez foi calculado tendo como base o leilão informal que o BC fez na sexta-feira da semana passada, quando recolheu R$ 17,669 bilhões dos bancos, à medida que aceitou 34% das propostas encaminhadas pelas instituições que aceitaram a remuneração de 17,90% oferecida pelo BC.Segundo Figueiredo, os bancos, na hora do leilão, normalmente oferecem um volume bem superior, já sabendo que o BC fará um corte, não aceitando por completo as propostas que são feitas. "Os bancos, às vezes, entram com um volume muito alto para ficar com uma parte maior do leilão", disse Figueiredo.Segundo o diretor, a liquidez potencial do sistema bancário brasileiro é de R$ 15 bilhões. Figueiredo comentou ainda que não concorda com a preocupação de parte do mercado que considera que essa liquidez - no caso os supostos R$ 51,968 bilhões - poderia ser utilizada em movimentos especulativos no mercado de câmbio. Figueiredo discorda dessa idéia por dois motivos. Em primeiro lugar, porque a premissa de que a liquidez do sistema é de R$ 51,968 bilhões não é verdadeira. Em segundo lugar, porque os bancos têm limites de exposição cambial, o que impediria atuações especulativas.

Agencia Estado,

30 de julho de 2002 | 16h57

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