''O mercado está ruim, porque muitas granjas quebraram''

Os baixos preços dos grãos estão levando os agricultores a optarem por culturas de menor custo de produção na safra que começa a ser plantada este mês no Estado de São Paulo. No sudoeste paulista, o milho vai ceder espaço para a soja, que tem produtividade menor por hectare, mas custa menos para formar a lavoura. Um hectare de milho produz média de 120 sacas de 60 kg e tem custo entre R$ 1,8 mil e R$ 2 mil para o produtor. Já a soja rende média de 53 saca/ha, mas custa entre R$ 1,2 mil e R$ 1,5 mil. A saca de milho fechou a semana cotada a R$ 17 para o produtor, enquanto a soja estava a R$ 43.Na região de Itapeva, de acordo com estimativa da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado, a área do milho vai cair de 95 mil hectares, na safra passada, para 71 mil hectares nesta. Já o plantio da soja deve ampliar de 67 para 84 mil hectares. De acordo com o agrônomo Vandir Daniel da Silva, técnico da Secretaria, a migração só não será maior porque os produtores precisam observar a rotação de culturas."Quem vem plantando soja precisa trocar a lavoura por uma gramínea, como o milho."O produtor Roberto Fay, de Itapeva, já descartou o plantio desse grão. Na safra passada, ele cultivou 85 hectares com milho e, mesmo colhendo 125 sacas por hectare, teve prejuízo de R$ 15 mil. Agora, toda a área disponível, de quase 400 hectares, será plantada com soja. "Serei obrigado a desmontar meu esquema de rotação de culturas", disse. O produtor Maurício Fernandes Dias, de Taquarivaí, com área cultivada de 2,5 mil hectares, vai destinar 60% para a soja e 40% para o milho. Ele ainda tem 120 mil sacas de milho em estoque e enfrenta dificuldade na venda do produto. "O mercado está ruim, pois muitas granjas quebraram. E as exportações não decolam."A safra atual, segundo Dias, será plantada com um custo entre 10% e 15% menor para a formação da lavoura. Já a oferta de crédito é maior, o que considera um dado positivo. "Contra o preço baixo, prefiro investir na produtividade."Num movimento contrário à tendência geral, o agricultor Diogo Yoshio Oi, de Itapetininga, vai aumentar em 10% a área com milho - o cultivo da soja será reduzido na mesma proporção. Na safra passada, 60% da área de verão foi cultivada com soja, os outros 40% com milho. "Este ano será meio a meio."O plantio do milho já começou. Enquanto espera as chuvas, Oi utiliza os pivôs de irrigação. Ele acredita que a soja não vai segurar os preços no patamar atual e aposta na alta produtividade do milho na região para compensar a baixa cotação. Por isso, não vai economizar fertilizante. "Temos de usar toda tecnologia disponível."O agricultor conta que este foi um ano difícil para o setor. "Plantamos com os insumos caros e colhemos com dólar barato e preços baixos. Agora, pelo menos, vamos fazer a semeadura pagando menos pelo adubo."Não bastasse o preço baixo dos grãos, os agricultores paulistas enfrentam perdas no trigo por causa do tempo. O excesso de chuvas em julho aumentou a incidência de doenças fúngicas, como a brusone.

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