O mercado imobiliário acredita na queda dos juros

Nos últimos 12 meses, 68,3 mil unidades habitacionais foram lançadas no País, alta de 1,7% em relação aos 12 meses anteriores

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01 de janeiro de 2017 | 07h32

O lançamento de 4,1 mil unidades em outubro por 14 grandes incorporadoras foi o melhor sinal recente do mercado imobiliário, marcado por forte crise há bastante tempo. O que explica a recente alta de lançamentos é a perspectiva de queda forte de juros em 2017, tornando o crédito mais atraente tanto para os produtores de habitação como para os mutuários finais. Mas outros indicadores divulgados nos últimos dias pela Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) não dão alento à atividade.

Nos últimos 12 meses, 68,3 mil unidades foram lançadas no País, alta de 1,7% em relação aos 12 meses anteriores. Entre os primeiros dez meses de 2015 e 2016, o aumento foi de 9,4%. Mas as vendas de 7,5 mil imóveis em outubro foram inferiores em 2,5% às de igual mês de 2015 e, nos últimos 12 meses, comparados aos 12 meses anteriores, a queda foi de 11,6%, para 102,3 mil unidades.

O número de distratos (ou desistência da aquisição pelos compradores finais), de 3,6 mil imóveis em outubro, caiu 17,3% em relação a outubro de 2015, mas ainda é alto, gerando insegurança no setor.

Em fins de outubro, havia 117,6 mil unidades em oferta pelas incorporadoras – um número ainda elevado, indicativo da dificuldade das vendas.

As condições gerais do mercado imobiliário, avaliadas pelo Radar Abrainc-Fipe, revelam que os maiores problemas do setor são os altos níveis de desemprego e a massa salarial em declínio, consequência da recessão econômica iniciada há mais de dois anos. E se o ambiente macroeconômico melhorou nos últimos 12 meses, recebeu nota média de apenas 1,9 ponto numa escala de zero a dez. Pior só a demanda, cuja nota de 3,6 pontos em outubro de 2015 caiu para apenas um ponto em outubro de 2016.

A nota atribuída aos preços é zero, o que significa que eles se encontram na pior situação desde 2004, segundo a FipeZap. Preços insatisfatórios significam resultados igualmente insatisfatórios e pouca disposição para investir e empregar.

Enquanto no biênio 2014-2015 mais de meio milhão de unidades foram financiadas por ano com recursos das cadernetas, esse número deverá ser inferior a 200 mil em 2016. Mesmo que alguma recuperação imobiliária se esboce em 2017, ela tende a ser lenta e limitar-se a nichos de mercado, dada a fragilidade de empresas e consumidores.

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