O mercado paulistano de imóveis inicia recuperação

Entre agosto e setembro, as vendas de imóveis na cidade de São Paulo cresceram 97,5%, segundo levantamento do sindicato da habitação (Secovi). É um sinal de que o fundo do poço está ficando distante, embora a comparação com 2011 ainda seja desfavorável.

O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2012 | 02h05

Entre os 12 meses terminados em setembro de 2012 e os 12 meses anteriores, a queda nas vendas foi de 29,3%. Mas também em 12 meses ela havia atingido 38,3%, até agosto. Ou seja, há pela frente um longo caminho até que a retomada seja vista como sustentável.

O mercado paulistano de imóveis alterou-se muito nos últimos dois anos. Dadas as dificuldades de aquisição de lotes edificáveis e, portanto, de lançamentos em regiões centrais, está em curso um processo de valorização dos imóveis mais antigos, à semelhança do que ocorre, há muito, em países desenvolvidos.

Isso ajuda a explicar por que os compradores preferem adquirir imóveis na planta, cujos preços são inferiores aos dos imóveis prontos e as condições de pagamento, mais facilitadas. Em sua quase totalidade, os imóveis na planta são adquiridos para morar. Do ponto de vista da estabilidade do setor e dos compradores, essa parece ser opção melhor do que a da aquisição com vistas à revenda, dadas as incertezas da economia.

O número de lançamentos aumentou 83,1% entre agosto e setembro, de 2.078 para 3.805 unidades, segundo a Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp). A demanda continua concentrada nos imóveis de menor porte, com um dormitório e até 45 m2 de área útil e dois dormitórios com até 65 m2 de área. Nada menos do que 60,3% das vendas, em setembro, foram de unidades com 45 m2 a 65 m2 de área. O prazo médio de vendas das unidades menores oscilou entre dois e três meses, um sinal de vitalidade da demanda.

O mercado de imóveis também depende da oferta, tanto de moradias (novas e usadas) quanto de crédito. A demora na aprovação de projetos tem retardado os lançamentos, enfatizam os construtores. Felizmente, há recursos abundantes, provenientes das cadernetas de poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Nos primeiros nove meses de 2012, a Caixa Econômica Federal (CEF), principal agente do crédito imobiliário, aumentou suas operações em 33,6%, relativamente ao mesmo período do ano passado. Trata-se de um porcentual elevado, que contrasta com o dos agentes privados, que ainda estão operando em ritmo mais lento do que em 2011.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.