O mergulho da inflação

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O mergulho da inflação

A queda do custo de vida traz consigo bons sinais, mas a recuperação ainda é frágil e exige cautela

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2017 | 21h00

A população, tão acostumada com as remarcações de preços, demora a perceber os benefícios de uma inflação baixa. Por isso, não põe reparo e, mesmo quando põe, tende a atribuí-la a fatores negativos, como, por exemplo, quando afirma que a inflação mais baixa é o resultado da recessão braba e do desemprego que derrubaram a renda, o consumo e a produção.

O fato é que a inflação em 12 meses deixou a faixa dos 10% e passou aos 4% (veja o gráfico), conforme mostrou o IBGE. A inflação de abril ficou em 0,14%, sensivelmente mais baixa do que o 0,18% das apostas do mercado. Em 12 meses, resvalou para os 4,08%, número que não se via há dez anos.

São três as principais consequências positivas desse mergulho do custo de vida. A primeira delas é o ganho de poder aquisitivo. Uma coisa é a perda do poder de compra com uma inflação rodando a 10% ao ano e outra, bem diferente, quando roda a 4,0%.

O segundo benefício imediato é o aumento da previsibilidade da economia. Quando a inflação é baixa, o consumidor não olha muito as etiquetas de preços, vai enchendo o carrinho do supermercado sem alongar-se na pesquisa. Qualquer consumidor memoriza tanto melhor os preços quanto maior for a estabilidade. Nessas condições, aumenta sua capacidade de questionar os preços do vendedor ou de trocar batata mais cara por mandioca mais barata. Uma economia mais previsível reduz o nível de incerteza e aumenta a capacidade de investimento e a de aplicação financeira.

A terceira consequência positiva acontece na política monetária: com inflação mais baixa, os juros passam a ter condições técnicas para cair mais. O que se discute agora no mercado é se o Banco Central (BC) cortará os juros básicos (Selic), hoje nos 11,25%, em 1,25 ponto porcentual ao ano, ou se vai ficar na dose anterior, de 1,o ponto. Juros mais baixos, além de reduzirem a pressão sobre a dívida pública, aumentam a disposição de tomar empréstimos e, portanto, o consumo. E se a queda de inflação vem acompanhada de certa recuperação da atividade econômica, a confiança aumenta e, com outro astral, tudo tende a melhorar.

Para maio, os prognósticos são de uma inflação na casa de 0,50%. Deve ficar mais alta do que a de abril em consequência do esgotamento dos efeitos do desconto da tarifa de energia elétrica. Mas a tendência continua sendo de inflação mais fraca e em queda. Para todo o ano de 2017, as expectativas de quem põe dinheiro grosso no mercado futuro são de uma inflação ao redor de 4,0%, como aponta a Pesquisa Focus, do BC.

Mas, atenção, essa recuperação é frágil. A inflação do Brasil tem como principal causa o desequilíbrio das contas públicas. Bastou a percepção de que pararam de piorar para que a inflação mergulhasse. Mas ainda falta o principal. Já foi dito e repetido que o mais importante objetivo das reformas, principalmente a da Previdência, é estancar o rombo. Se forem para o precipício, adeus controle das contas públicas, a escalada da dívida recomeçaria, a inflação viria atrás e, com ela, os juros e o climão geral do salve-se quem puder.

CONFIRA

» O recado da Bolsa

O gráfico mostra o comportamento do Índice Bovespa neste ano, o que reflete o comportamento do mercado de ações. Ao longo de 2017, a alta acumulada é de 11,83%; apenas em maio, é de 2,98%. Por trás dos números está a percepção de que as reformas estão andando e de que a atividade econômica tem boa probabilidade de recuperação. Mas os riscos são os apontados no texto desta Coluna: tudo depende das reformas. Se forem aprovadas, o céu será o limite; se forem rejeitadas, sai de baixo.

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