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Ainda se segurando!

A COP 26 não foi o fracasso previsto por alguns, mas faltaram compromissos financeiros reais

Albert Fishlow*, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2021 | 04h00

O mundo está no lugar, mas por um fio. A COP-26 encerrou a reunião em Glasgow com promessas para um futuro melhor, mas sem recursos suficientes para que a maioria dos países em desenvolvimento possam cumpri-las. Não aconteceu o fracasso que alguns previram, mas faltaram compromissos financeiros verdadeiros por parte dos países desenvolvidos. E a Índia e a China prometem atingir o consumo máximo de carvão, porém apenas até 2030. Isso contribui muito para as emissões de carbono.

O Brasil entrou na reunião com a maioria dos países ainda incomodados com a devastação da Amazônia nos últimos dois anos, sem acreditar nas promessas de níveis ajustados e mais elevados de reduções nas emissões de carbono e metano. Bolsonaro nem se deu ao trabalho de aparecer. Pelo menos isso ele fez certo.

A variante delta do covid-19 conseguiu se recuperar na Europa, embora continuasse a afligir países da África e em outros lugares, mas em menor escala. Nos EUA, a questão continua controversa. Um grande esforço para exigir cobertura vacinal criou uma batalha judicial sem fim. As pessoas querem manter suas armas e privilégios para adoecer e morrer.

No Brasil, pela primeira vez em muitos meses, em alguns Estados não foram registradas mortes. Na última semana, apenas 12 mil casos e 393 óbitos anunciados. Com a aproximação do verão e, finalmente, com um adequado suprimento de vacinas, a situação assumiu tom mais positivo. Com sorte, isso continuará enquanto o Brasil caminha para as eleições. Isso vai prevalecer sobre os outros assuntos.

A economia está claramente em apuros. Inflação alta, desemprego alto, deterioração do compromisso com a educação pública e recursos financeiros internos limitados para garantir crescimento contínuo, melhor distribuição de renda e reestruturação econômica interna para facilitar o avanço da produtividade.

As taxas de juros irão subir – alguns dizem que o nível da Selic chegará a 13%. O PIB provavelmente crescerá menos de 1%. A dívida do governo aumentará novamente como porcentagem do PIB. O déficit fiscal atingirá níveis de 6% somente em virtude de emendas constitucionais que atendem aos pobres o consumo pessoal poderá continuar como setor líder no Brasil.

Isso será o suficiente para permitir que Bolsonaro consiga chegar a um possível segundo turno contra Lula em outubro próximo? Nesse momento, Sergio Moro se coloca para tentar alterar o que parece uma escolha inalterável dos brasileiros, cuja conclusão só pode ser um retorno de Lula – eloquente e ansioso por devolver o controle político ao PT. Inevitavelmente, essa circunstância também levará a mais burocracia e menos eficiência.

Sergio Moro já entrou na disputa, buscando usar sua imagem pública para modificar as probabilidades. Sob os auspícios do Podemos, com a ajuda de excelentes economistas como Pastore, ele busca sua oportunidade. Ele tem a gama de talentos necessária para lidar não apenas com economia e comércio, mas também para devolver o progressismo, a abertura e a cultura à Presidência? Essa é a questão chave./ TRADUÇÃO DE ANNA MARIA DALLE LUCHE

ECONOMISTA E CIENTISTA POLÍTICO, PROFESSOR EMÉRITO NAS UNIVERSIDADES DE COLUMBIA E DA CALIFÓRNIA EM BERKELEY

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