O mundo não tem mais dono da verdade, afirma Lula

Presidente destaca as 'conquistas' dos países emergentes na reunião da cúpula do G-20

AE, Agencia Estado

28 de setembro de 2009 | 08h44

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, 28, que o mundo não tem mais nenhum "dono da verdade" porque "todo mundo senta à mesa, com muita humildade, querendo aprender, querendo saber como é que vai fazer para lidar com a crise econômica, para lidar com o sistema financeiro, redefinir o papel do Estado". "Isso é o que explica o sucesso do G-20", disse, no programa semanal de rádio "Café com o Presidente". De acordo com Lula, a reunião da cúpula das 20 maiores economias do mundo, em Pittsburgh, Estados Unidos, na semana passada, da qual participou, teve três "conquistas".

 

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A primeira, afirmou, é que o G-20 será o grande fórum para debater a economia do mundo, substituindo o G-8 (Grupo dos 7 e a Rússia). A segunda é a ampliação da participação das nações emergentes no Fundo Monetário Internacional (FMI). "Nós reivindicamos sete (por cento), e nós passamos para cinco. Qualquer negociador sabe que quem reivindica sete e conquista cinco, é uma vitória extraordinária", disse. A terceira conquista, segundo ele, foi o acréscimo da participação dos emergentes nas cotas do Banco Mundial (Bird) em 3%. "A gente queria ter uma participação de 6%, na véspera, à noite, do encontro, o Obama disse que não era possível negociar o Banco Mundial, que não tinha acordo. O que aconteceu no dia seguinte é que de manhã nós conseguimos fazer com que aumentasse a participação dos emergentes em 3%", disse.

 

Lula lembrou também o discurso de abertura que fez na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. "Foram três mensagens. Primeira, a questão da crise econômica mundial; segunda, a questão do clima; terceira, a questão da governança global. Ou seja, são três assuntos que estão na ordem do dia, três assuntos que o mundo inteiro está discutindo e três assuntos que interessam ao Brasil."

 

Países pobres

 

Ao falar sobre a Segunda Cúpula dos Países da América do Sul com os Países da África, em Isla Margarita, na Venezuela, da qual participou em seguida, o presidente declarou que, para ele, ir a uma reunião de países ricos e depois a um encontro das nações mais pobres foi "uma lição de vida". "Foi um momento de glória, ter participado, durante uma semana inteira, do G-20, que reúne os países mais ricos, e ter saído do G-20 e vir participar do encontro dos mais pobres." Para o presidente, a ida a dois encontros tão diferentes permitiu "compreender melhor que é preciso ter uma nova ordem mundial, que é preciso a gente cuidar de concluir o acordo da Rodada de Doha, na OMC (Organização Mundial do Comércio), que é preciso ter mais política de transferência de tecnologia para os países pobres, que é preciso fazer com que a miséria seja extirpada do mundo, com a colaboração dos países ricos".

 

Lula considerou ainda que essa "união" entre América do Sul e África é uma "coisa extremamente rica" para mudar a geografia comercial e política. "Quem viver mais alguns anos vai perceber que vai mudar a situação da governança mundial, a partir da relação que nós estabelecemos com o mundo árabe, com os países da América Latina, Caribe, Caricom (Comunidade do Caribe), e com o continente africano. Ou seja, é uma nova lógica: nós somos a maioria dos países do mundo. Portanto, nós temos que utilizar essa força nas decisões da governança global", ressaltou.

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