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O mundo terá 5 bilhões de celulares em 2010

Nenhuma outra invenção se expandiu e alcançou tantos seres humanos em tão pouco tempo quanto o celular. Em menos de 30 anos, saiu do zero para alcançar 4 bilhões dos atuais 6,6 bilhões de habitantes da Terra. Ou seja: há hoje 2 telefones móveis para cada 3 pessoas. No final de 2010, o mundo quebrará a barreira dos 5 bilhões de celulares. A televisão, popularizada a partir de 1946 nos Estados Unidos, não alcança mais do que 1,4 bilhão de domicílios em todo o mundo. O rádio, nascido comercialmente há 89 anos, não chega a 650 milhões de residências. O computador pessoal, depois de 32 anos, está nas mãos de 1,8 bilhão de usuários. A internet fixa, em 18 anos, via desktops, chega a 1 bilhão. A internet móvel - via celular de terceira geração (3G) ou laptops com acesso wireless - já se aproxima dos 400 milhões.Por razões profissionais, acompanhei de perto a trajetória impressionante do celular e pude testemunhar dois momentos históricos dessa revolução: a primeira ligação comercial de telefonia móvel celular da Europa, em Estocolmo, em junho de 1981, e a inauguração do primeiro serviço comercial celular das Américas, em Chicago, no dia 13 de outubro de 1983.Naquela época, entretanto, pouca gente apostava no sucesso do novo telefone. Era natural que assim fosse, porque ele era grandão, pesado, pouco eficiente e instalado somente dentro do automóvel. Lembro-me do telefone que usei em Chicago: um tijolão de 8 quilos cuja bateria não permitia mais do que 30 minutos de conversação.Diante daquele aparelho desengonçado, duas famosas consultorias, contratadas para analisar as perspectivas do celular para os investidores, concluíram com todas as letras: "O celular é um mau negócio. Não despertará grande entusiasmo dos usuários e sua penetração nos Estados Unidos não alcançará mais do que 15% da população ao final de 20 anos."Curiosamente, ambas as consultorias não levaram em conta dois fatores essenciais: o impacto da miniaturização e a revolução da digitalização nas telecomunicações e na eletrônica em geral. Hoje, é claro, com uma visão retrospectiva de três décadas, é fácil comprovar as profundas transformações por que passaram os celulares, reduzidos a pequenas maravilhas que hoje pesam até menos de 100 gramas.A incorporação de softwares e aplicativos de todo tipo transforma o celular num verdadeiro computador de bolso, que faz tudo: fala, acessa a internet, envia e recebe e-mails, troca mensagens de texto (short messages services ou SMS), baixa programas, fotografa e filma com qualidade sempre maior, sintoniza rádio e TV, recebe noticiário exclusivo, localiza pessoas, faz download de música MP3 e de jogos eletrônicos - entre tantas outras coisas.A queda de preços de aparelhos e serviços da telefonia celular em todo o mundo resulta de três fatores decisivos que explicam sua expansão extraordinária: a privatização, a competição e a evolução tecnológica, que parece não ter fim. Além disso, o investimento inicial para que um celular funcione é atualmente menor do que 10% do investimento exigido para a implantação de um telefone fixo. E o tempo de instalação e operação não ultrapassa algumas semanas. EXPLOSÃO MUNDIALAo longo do evento Mobile World Congress 2009, na semana passada, aqui em Barcelona, foram divulgados dados que mostram a expansão incomum do número de países que já têm mais celulares do que habitantes. Na Europa, segundo o banco de dados Wireless Intelligence, a Itália é campeã, com 157 celulares por 100 habitantes. Na sequência, vêm Portugal, com 140; Rússia, com 132; Alemanha, com 131; Espanha, com 128; Reino Unido, com 125 e Ucrânia, com 120. Todos os países escandinavos e a Finlândia têm mais 115 celulares por 100 habitantes. Na América Latina, a Argentina alcança a densidade de 112 celulares por 100 habitantes. A penetração do celular no Brasil já supera os 82%. OS EMERGENTESOs países emergentes têm tido papel relevante na expansão do celular no mundo. No ano passado, dos 600 milhões de novos celulares instalados, 250 milhões foram postos em serviço nos países do quarteto BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). O caso chinês é o mais surpreendente. Nos últimos 10 anos, a China passou de pouco mais de 4 milhões de celulares para os 621 milhões atuais. A maior operadora do mundo é a China Mobile, hoje com 470 milhões de assinantes. No final de 2009, a empresa terá 542 milhões e, em 2010, cerca de 629 milhões. A segunda operadora do país, a China Unicom, anunciou planos para a quarta geração (4G), na sequência de etapas denominada Evolução de Longo Prazo (LTE, de Long Term Evolution), que permitirá chegar a velocidades superiores a 100 Megabits por segundo (Mbps), nos próximos 10 anos. Segundo o presidente da empresa, Chang Xiaobing, a China Unicom elegeu como prioritária a área de High Speed Packet Access Plus (HSPA+) deverá ativar nada menos do que 80 mil estações radiobases (ERBs), cobrindo 248 cidades, onde vivem 70% da população chinesa, a partir do próximo dia 1º de maio.

Ethevaldo Siqueira, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2009 | 00h00

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