O Natal vai ser bom, mas você está pronto?

Pequenos e médios negócios devem planejar desde já a data levando em conta o novo cenário econômico brasileiro

Carolina Dall?Olio, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2011 | 00h00

Ainda faltavam dois meses para o Natal de 2010 e a Buquê, empresa de Santo André que fabrica bonecos decorativos em tamanho real, já não conseguia atender os pedidos que recebia. No catálogo da indústria cosmética carioca Kanitz, alguns itens também começavam a se esgotar na mesma época. E as lojas do grupo Semaan, que vendem bijuterias e brinquedos em São Paulo, estavam apinhadas de gente.

Assim como a maioria das empresas do Brasil, esses três pequenos negócios tiveram em 2010 o melhor Natal de todos os tempos. Tão bom que, em alguns casos, até pegou as empresas desprevenidas. Para isso não acontecer mais, os trabalhos para receber bem o Papai Noel 2011 já começaram - mas com um planejamento que leva em conta um novo cenário econômico.

Alguns fatores que fizeram a economia brasileira crescer 7,5% em 2010 seguem positivos, é verdade. O nível de desemprego está ainda mais baixo que o registrado no fim do ano passado, a renda do trabalhador também subiu de lá para cá e as famílias continuam comprando produtos e serviços.

Mas o consumo movido a crédito, que em 2010 fez a alegria das empresas, agora apresenta sua outra face: o endividamento excessivo. A dívida total das famílias nunca foi tão alta. Corresponde a 40% da massa anual de rendimentos do trabalho e dos benefícios pagos pela Previdência Social no País, aponta estudo da LCA Consultores. E a inadimplência começa a subir.

Além de mais endividado, o cliente que for às compras no Natal vai se deparar com financiamentos mais caros. Em 2010, os brasileiros gastaram R$ 129,3 bilhões com juros, segundo levantamento da Federação do Comércio de São Paulo. Mas com o aumento da Selic em 2011, apenas nos quatro primeiros meses do ano, o gasto foi de R$ 55,1 bilhões, podendo somar R$ 165,3 bilhões até dezembro.

"Com o aumento do custo do crédito, o dinheiro que seria destinado ao consumo acaba migrando para o pagamento de juros", analisa Altamiro Carvalho, assessor econômico da Federação do Comércio. "Por isso, o Natal será bom, porém com crescimento mais moderado que o registrado em 2010. As empresas certamente enfrentarão mais dificuldades para atingir suas metas."

Nos textos ao lado, os empreendimentos retratados nesta reportagem contam quais estratégias utilizarão para fazer o Natal de 2011 ser ainda mais gordo que o de 2010.

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